Correlação com idade é erro mais comum na prevenção, mostram especialistas

Muitos homens associam a dificuldade de ereção ao envelhecimento e tentam ignorar o problema. O que poucos sabem é que a disfunção erétil pode funcionar como um dos primeiros sinais silenciosos de doenças cardiovasculares, surgindo antes mesmo de sintomas como falta de ar, dor no peito ou alterações cardíacas perceptíveis.
Um estudo da Australian National University (ANU), publicado na revista científica PLOS Medicine, identificou que homens acima de 45 anos com disfunção erétil moderada a grave apresentavam risco significativamente maior de desenvolver insuficiência cardíaca em comparação àqueles sem o problema, reforçando a relação entre saúde sexual masculina e doenças cardiovasculares.
A pesquisa reforça o entendimento crescente da comunidade médica de que a saúde sexual masculina está intimamente ligada à saúde cardiovascular. Por isso, ignorar sintomas persistentes pode atrasar diagnósticos importantes. Em muitos casos, investigar a causa da disfunção erétil pode levar à identificação precoce de doenças silenciosas e permitir intervenções antes de complicações mais graves.
Atenção aos sinais
O motivo está no funcionamento dos vasos sanguíneos. Como as artérias do pênis são menores do que as coronárias, alterações na circulação tendem a aparecer primeiro na função erétil. Na prática, isso significa que dificuldades recorrentes para manter a ereção podem indicar um comprometimento vascular ainda silencioso, associado a quadros como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e doenças cardíacas.
A circulação sanguínea é essencial para a ereção, já que o processo depende do aumento do fluxo de sangue para os corpos cavernosos do pênis. Quando há alterações vasculares, esse mecanismo pode ser prejudicado, tornando a dificuldade de ereção um possível indicativo precoce de problemas sistêmicos.
O quadro é especialmente frequente entre homens com doença arterial coronariana, histórico de infarto, aterosclerose e pacientes submetidos ou candidatos a procedimentos cardiovasculares, como angioplastia e cirurgia cardíaca.
Médico PhD em Urologia pela USP, o Dr. Paulo Egydio explica que um dos erros mais comuns é encarar a disfunção erétil apenas como consequência da idade ou uma questão exclusivamente sexual.
“Muitos homens chegam ao consultório acreditando que o problema faz parte do envelhecimento ou buscando apenas uma medicação para melhorar o desempenho. Mas a disfunção erétil frequentemente é um sintoma de algo maior, especialmente alterações vasculares, metabólicas e hormonais que precisam ser investigadas”, afirma.
Segundo o especialista, o tratamento deve ser individualizado e considerar a origem do quadro.“Não existe uma medicação universalmente aplicável. É preciso identificar se as causas são físicas ou psicológicas para oferecer um tratamento realmente eficaz. Entre os fatores físicos, podem estar diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares, alterações hormonais e doenças neurológicas. Já entre os fatores emocionais, ansiedade, estresse e depressão têm papel importante”, explica.
Fármacos inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), como tadalafila e sildenafil, podem auxiliar na função erétil, mas o uso indiscriminado e sem investigação médica pode mascarar doenças subjacentes e comprometer a eficácia do tratamento no longo prazo.
A recomendação é procurar avaliação médica quando houver:
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dificuldade frequente para obter ou manter a ereção;
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redução persistente da rigidez peniana;
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perda de ereções espontâneas pela manhã;
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queda da libido associada;
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histórico de hipertensão, diabetes, colesterol alto, obesidade ou tabagismo.
Principais causas da disfunção erétil
Cardiovasculares: hipertensão, aterosclerose, colesterol alto e insuficiência vascular.
Metabólicas: diabetes e obesidade.
Hormonais: baixa testosterona e alterações hormonais.
Neurológicas: Parkinson, AVC e lesões neurológicas.
Psicológicas: ansiedade, estresse, depressão e questões emocionais.
Hábitos de vida: tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo e privação de sono.
Texto e foto: divulgação


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