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Sífilis – Uma doença silenciosa

4 de março de 2020 por Claudia Costa 3 Comentários

A promiscuidade sexual e o não uso de preservativos nas relações sexuais contribuem para o aumento da sífilis que cresceu 5.000% nos últimos anos . Ilustração: site Pixabay

Por Claudia Costa

O Brasil tem 18 casos de sífilis por hora, segundo dados do Ministério da Saúde. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, lançou, no último dia 08 de fevereiro, no Rio de Janeiro,  a Campanha de Prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis. O ministro ressaltou que o Brasil teve 158.051 casos de sífilis em 2019. O número representa um aumento de 28,3% em relação ao total de casos registrados em 2018.
 
“Hoje talvez seja nossa maior preocupação no que se refere a doenças sexualmente transmissíveis. Neste momento, nossos registros apontam para 18 casos da doença por hora. Se continuar nessa progressão, vai ultrapassar os casos de HIV em importância. Além disso, os números de uso de preservativos vêm caindo. Daí a necessidade de campanhas como esta”.
 
Os números do Ministério da Saúde eu 0rganização de Saúde mostram que 900 mil pessoas vivem com o HIV no Brasil. O boletim epidemiológico do órgão aponta que os jovens são os principais atingidos pelo vírus – 52,7% do total de casos estão localizados na parcela da população que tem entre 20 e 34 anos.
Sexo com responsabilidade

Ter uma vida sexual plena e satisfatória é o desejo da maioria das pessoas. Poder compartilhar o prazer que o nosso corpo proporciona com alguém é uma experiência gratificante e de plenitude. Entretanto, ter uma vida sexualmente ativa requer responsabilidades do casal, seja ele hétero, bi ou homossexual. Fazer sexo de forma segura e responsável é uma demonstração de amor e respeito ao parceiro.

O crescimento do número de casos de pessoas com doenças sexualmente transmissíveis é preocupante. O aumento da sobrevida de pacientes portadores do vírus HIV (que provoca a AIDS), de alguma forma, fez com que a população relaxasse com as medidas de prevenção.

A Organização Mundial da Saúde estima que sejam diagnosticados milhões de novos casos de infecções sexualmente transmissíveis por dia, sendo seis milhões pela sífilis e 78 milhões pela gonorreia, sem contar os casos de HIV, HPV, herpes e hepatites virais.

Dados do Ministério da Saúde revelam que em 2010 foram notificados 1.249 casos de sífilis adquirida (a que se pega através de relação sexual). Em 2015, apenas cinco anos depois, esses números saltaram para 65.878, um aumento de 5.000%, e portanto estamos vivendo uma epidemia. Os postos de saúde oferecem os medicamentos gratuitamente para o tratamento de sífilis.

Nesta entrevista, o médico infectologista Jan Walter Stegmann explica que a sífilis, também denominada lues e transmitida pela bactéria Treponema pallidum, é uma doença que não escolhe sexo, idade nem classe social. A falta de tratamento pode causar graves sequelas, como cegueira, demência, alterações vasculares e malformações no recém-nato no caso da transmissão materno-infantil. Stegmann, médico há 38 anos, trabalha no ambulatório de HIV/AIDS do centro de referência da 17ª Regional de Saúde e nos ambulatórios de HIV e de hepatites do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina.

“Aneurismas, lesões vasculares e das válvulas cardíacas, cegueira e alterações neurológicas, como demências, paralisias e dores acentuadas são algumas das sequelas da sífilis se não tratada adequadamente ”, explica o médico infectologista Jan Walter Stegmann.

Por que os casos de sífilis cresceram tanto nos últimos anos ?

As pessoas não estão mais se protegendo como antes, com o uso do preservativo. Devido ao controle medicamentoso pelo coquetel do HIV, perdeu-se o medo da AIDS, e também devido ao número elevado de parceiros sexuais.

Quais os principais sintomas da sífilis? Como é feito o diagnóstico?

Na fase inicial, em torno de 21 dias após o contágio, aparece o cancro, lesão ulcerada no local de inoculação do treponema. A lesão desaparece espontaneamente e, após algumas semanas, vêm as lesões de pele da sífilis secundária, como uma alergia no corpo, lesões nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. Posteriormente, há uma fase latente de anos, quando temos a sífilis terciária, com lesões que podem acometer vários órgãos. O diagnóstico na fase primária é feito através de exame da lesão com pesquisa do treponema. Depois, é possível fazer o diagnóstico através de exames de sangue (sorologias).

Como é feito o tratamento e qual a sua duração?

O tratamento é feito com antibióticos (penicilina, vibramicina, ceftriaxona e azitromicina), sendo que as doses e o medicamento vão depender da fase da doença e do órgão acometido.

Quais as formas de contágio da sífilis?

Através de relação sexual, transfusão de sangue e transmissão de mãe para filho, durante a gestação e no parto.

Uma pessoa com sífilis tem que separar seus objetos e utensílios pessoais (lavar as roupas separadamente, etc.)?

Não. A transmissão se dá pelo contato direto com as lesões ou com sangue com o treponema.

A pessoa deve comentar com seu parceiro que está com a doença?

Os doentes com sífilis têm obrigação legal de comunicar a seus parceiros sexuais, conforme estabelece o Código Penal. (Art. 130 – Expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que está contaminado, com pena que varia de três meses a quatro anos de prisão, além de multa.)

Além disso, existe um dever moral a fim de que os parceiros sejam avaliados, diagnosticados e tratados conforme a necessidade, e cessar a cadeia de transmissão da doença.

Quais as principais sequelas da doença não tratada adequadamente?

Temos as lesões vasculares, aneurismas e lesões de válvulas cardíacas, cegueira e alterações neurológicas, como demências, paralisias e dores acentuadas (tabes dorsalis).

Por que os homens têm tanta resistência – principalmente os mais idosos – com o uso de preservativos?

As pessoas mais idosas têm o preservativo principalmente como método para evitar gravidez, e são de uma época em que não havia a AIDS. E, eventualmente, podem ter mais dificuldade para manter a ereção quando da colocação do preservativo.

Onde as pessoas podem procurar ajuda e informações?

Em qualquer unidade básica de saúde ou com seu médico de confiança.

Muitas pessoas têm medo de se expor e acabam se automedicando. Qual é o principal problema deste comportamento?

A lesão inicial desaparece sem tratamento ou mesmo com tratamento incorreto, portanto a doença permanece, podendo levar a casos mais graves, com sequelas permanentes.

A sífilis tem cura e desaparece completamente se tratada adequadamente?

Sim, tem cura, desaparecendo por completo. O que acontece é que a pessoa pode se reinfectar (novo contágio).

Na sua prática diária, há mais casos entre homens ou mulheres?

Quanto maior a promiscuidade (número de parceiros) e a ausência do preservativo, maior a incidência. Tenho observado predomínio em homens.

 

 

Bebê que nasceu na rua, em Maceió, tem sífilis congênita e segue internada

Mãe da criança recebeu alta; Conselho Tutelar monitora parentes para que criança não perca o vínculo família.
O bebê que nasceu no meio da rua na manhã dessa terça-feira (3/03), no bairro do Benedito Bentes, em Maceió, tem sífilis congênita e continua internada. A mãe da criança, porém, recebeu alta nesta quarta-feira (4) e vai receber auxílio para se manter saudável devido ao vício em drogas e à esquizofrenia. As informações  foram passadas pelo conselheiro tutelar Fábio Rogério, durante entrevista concedida à TV Ponta Verde.
Profissionais da área da saúde afirmam que, normalmente “o tratamento é feito apenas com a injeção única de 50.000 UI/Kg de Penicilina benzatina”, porém, “o médico também pode optar por não fazer a injeção e apenas manter o acompanhamento do desenvolvimento do bebê com exames frequentes de sífilis”. Leia mais. acesse: https://gazetaweb.globo.com/portal/noticia/2020/03/bebe-de-mulher-em-situacao-de-rua-nasceu-com-sifilis-congenita-e-segue-internada_99016.php

Mais Fontes:

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/02/08/brasil-tem-18-casos-de-sifilis-por-hora-diz-ministerio-da-saude.ghtml

 

*** Publicada em 29 de junho de 2017. A última atualização 04 de março de 2020.

Arquivado em: Saúde

Sobre Claudia Costa

Claudia Costa foi editora Folha de Londrina, suplemento da Folha da Sexta, durante 13 anos, e há mais de 17 anos está atuando em comunicação corporativa e marketing. Trabalhou nas empresas Unimed Londrina, Sociedade Rural do Paraná e Unopar. Atua na assessoria de imprensa e comunicação para AREL, SINDICREDPR e diversos profissionais liberais, principalmente, na área da saúde e diversas áreas de prestação de serviço.

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Comentários

  1. Elisie diz

    29 de junho de 2017 em 21:32

    Materia esclarecedora! Eu não sabia do alto indice, o dr. Jan Walter explicou com maestria. Parabens Claudia!!

    Reply
  2. Florindo Dalberto diz

    24 de julho de 2017 em 07:50

    O Dr. Jan Stegmann é um craque da medicina londrinense…

    Reply
  3. Daniel diz

    5 de janeiro de 2020 em 17:02

    Eu fui diagnósticado com sifilis, mas nao sei quando peguei. Nao tive nenhum sintoma, nada, absolutamente nada. Eu resolvi fazer o exame por conta própria, pois tenho uma vida sexual ativa, me protejo com preservativo em penetracoes, mas nao no oral. Por isso eu ja fazia uns dois anos que queria saber por curiosidade, pois estavam falando que estava fácil de pegar pelo oral. Um dia resolvi fazer e deu reagente 1:16 e tomei as injeções (nao doeram tanto assim não, a enfermeira me disse que depende muito de quem aplica). Então no meu caso foi muito estranho pois nao tive nenhum sintoma no corpo.

    Reply

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