
Por Claudia Costa
A infecção ficou conhecida como a doença transmitida pelo gato, porque ele é o hospedeiro definitivo do protozoário Toxoplasma gondii. Porém, outros animais também podem transmitir a doença, dentre eles suínos, bovinos, aves e animais silvestres. Nos gatos e outros felinos, o ciclo reprodutivo do parasita se completa nas células da mucosa do intestino e eles eliminam nas fezes os ovos (oocistos). Os gatos adquirem o protozoário ao comerem carne crua (de ratos e aves) contaminada.
O homem e outros animais são hospedeiros intermediários do parasita, que penetra no tubo digestivo e através da corrente sanguínea. O ser humano adquire a infecção por três vias: ingestão de oocistos provenientes do solo, areia, latas de lixo contaminadas com fezes de gatos infectados; ingestão de carne crua e malcozida infectada com cistos, especialmente carne de porco e carneiro; e por intermédio de infecção transplacentária, ocorrendo em 40% dos fetos de mães que adquiriram a infecção durante a gravidez.
O período de incubação, ou seja, o tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas, ocorre de 10 a 23 dias, quando a fonte for a ingestão de carne, e de cinco a 20 dias, após ingestão de oocistos de fezes de gatos. Não se transmite diretamente de uma pessoa a outra, com exceção das infecções intrauterinas. Os oocistos expulsos por felídeos esporulam e se tornam infectantes depois de um a cinco dias, podendo conservar essa condição por um ano.
Segundo o médico infectologista Arilson Akira Morimoto, na mulher grávida o maior problema é com o feto. “Na gestante, a toxoplasmose pode provocar a infecção congênita que pode evoluir para um aborto e más-formações congênitas importantes”, explica o especialista.

Porém, nem todas as pessoas com toxoplasmose desenvolvem sintomas. O médico infectologista explica que os sintomas mais comuns são febre baixa, aparecimento de ínguas e mal-estar, com duração de duas a três semanas.
Arilson Morimoto salienta que a toxoplasmose pode ser uma doença assintomática e o parasita permanecer no organismo para o resto da vida. “Porém, nos pacientes portadores do vírus HIV o problema é mais sério, pois eles estão sujeitos à infecção pelo Toxoplasma gondii e à reativação do parasita, pois o vírus HIV ataca as células de defesa do organismo, podendo atacar os olhos e até desenvolver tumor na cabeça.”
Quando o organismo está debilitado, por exemplo nos casos dos portadores do vírus HIV, a infecção pelo Toxoplasma gondii pode se espalhar pelo coração, fígado, músculos, pulmão, olhos e ouvidos. Nesses casos, os sintomas vão desde uma dor de garganta a manchas pelo corpo, confusão mental, convulsões, encefalite, aumento do fígado e do baço, doenças pulmonares e cardíacas, e aumento dos gânglios espalhados pelo corpo (linfonodos aumentados).
A transmissão
Na maioria dos casos a doença é contraída por via oral, ou seja, pela ingestão de carnes cruas ou malpassadas, e também pelo consumo de água, frutas, verduras cruas contaminadas com oocistos do Toxoplasma gondii. A toxoplasmose não é contagiosa, mas ela pode ser transmitida da mãe para o feto durante a gestação.

Prevenção
- Lavar bem frutas e legumes
- Consumir apenas carnes cozidas
- Lavar as mãos com água e sabão regularmente, principalmente antes das refeições. Também é importante lavar as mãos após lidar com carne crua ou malcozida e vegetais
- Evitar o contato com a areia de gatos e lavar bem as mãos após este procedimento. As gestantes não devem ter contato com a areia de gatos
- Manter o gato bem alimentado e sem acesso à rua para que ele não vá caçar animais para comer e acabar se contaminando
- Evitar contato com as fezes de gatos e outros felinos
- Usar luvas quando for mexer no jardim ou em vasos com terra
- Acostumar o gato a só comer ração
- Realizar o pré-natal desde o início da gestação
- Manter bem limpos os utensílios de cozinha (facas, tábuas, colheres e escorredores) utilizados no preparo dos alimentos

Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da doença é realizado através de uma avaliação clínica, da anamnese (informações e hábitos de vida do paciente) e de exames laboratoriais que identificam se a pessoa possui anticorpos contra o parasita da toxoplasmose no sangue. Também existe um exame realizado pelo médico oftalmologista que identifica no fundo do olho uma imagem típica de toxoplasmose.
O tratamento é feito com antibióticos durante quatro a seis semanas. A necessidade e o tempo de tratamento serão determinados pelas manifestações, locais de acometimento e principalmente estado imunológico da pessoa que está doente. São três as situações:
- Imunocompetentes com infecção aguda: somente comprometimento ganglionar, em geral não requer tratamento; infecções adquiridas por transfusão com sangue contaminado ou acidentes com materiais contaminados em geral são quadros severos e devem ser tratados; infecção da retina (coriorretinite) deve ser tratada.
- Infecções agudas em gestantes: devem ser tratadas pois há comprovação de que assim diminui a chance de contaminação fetal; com comprovação de contaminação fetal, necessita tratamento e o regime de tratamento pode ser danoso ao feto, por isso especial vigilância deve ser mantida neste sentido.
- Infecções em imunocomprometidos: estas pessoas sempre devem ser tratadas e alguns grupos, como os contaminados pelo vírus HIV-1, devem permanecer tomando uma dose um pouco menor da medicação que usaram para tratar a doença por tempo indeterminado. Discute-se, neste último caso, a possibilidade de interromper esta manutenção do tratamento naqueles que conseguem recuperação imunológica com os chamados coquetéis contra a aids.
Fonte:
Sociedade Brasileira de Infectologia
https://www.infectologia.org.br/pg/833/toxoplasmose


Gostei da entrevista sobre Toxoplasmose. Mas quanto as vias de infecção o gato em particular não carrega nos pelo os ovos do parasita ( oocistos). As hortaliças e que carreiam os ovos.
Assista o vídeo “Toxoplasmose é Fácil Prevenir” no YouTube. Tem uma explicação fácil de entender. Bjs
Professor Italmar, os gatos não eliminam esses ovos do parasita (oocitos) pelas fezes?