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Toxoplasmose: a doença que o gato leva a fama!

2 de janeiro de 2018 por Claudia Costa 2 Comentários

 

Os gatos adquirem a doença ao comerem carne crua contaminada como carne de ratos e aves. Foto: Pixabay

Por Claudia Costa

A infecção ficou conhecida como a doença transmitida pelo gato, porque ele é o hospedeiro definitivo do protozoário Toxoplasma gondii. Porém, outros animais também podem transmitir a doença, dentre eles suínos, bovinos, aves e animais silvestres. Nos gatos e outros felinos, o ciclo reprodutivo do parasita se completa nas células da mucosa do intestino e eles eliminam nas fezes os ovos (oocistos). Os gatos adquirem o protozoário ao comerem carne crua (de ratos e aves) contaminada.

O homem e outros animais são hospedeiros intermediários do parasita, que penetra no tubo digestivo e através da corrente sanguínea. O ser humano adquire a infecção por três vias: ingestão de oocistos provenientes do solo, areia, latas de lixo contaminadas com fezes de gatos infectados; ingestão de carne crua e malcozida infectada com cistos, especialmente carne de porco e carneiro; e por intermédio de infecção transplacentária, ocorrendo em 40% dos fetos de mães que adquiriram a infecção durante a gravidez.

 

O período de incubação, ou seja, o tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas, ocorre de 10 a 23 dias, quando a fonte for a ingestão de carne, e de cinco a 20 dias, após ingestão de oocistos de fezes de gatos. Não se transmite diretamente de uma pessoa a outra, com exceção das infecções intrauterinas. Os oocistos expulsos por felídeos esporulam e se tornam infectantes depois de um a cinco dias, podendo conservar essa condição por um ano.

Segundo o médico infectologista Arilson Akira Morimoto, na mulher grávida o maior problema é com o feto. “Na gestante, a toxoplasmose pode provocar a infecção congênita que pode evoluir para um aborto e más-formações congênitas importantes”, explica o especialista.

A toxoplasmose congênita é uma forma grave da doença, resultado da transmissão da mãe para o feto durante a gravidez. Foto : Pixabay

Porém, nem todas as pessoas com toxoplasmose desenvolvem sintomas. O médico infectologista explica que os sintomas mais comuns são febre baixa, aparecimento de ínguas e mal-estar, com duração de duas a três semanas.

Arilson Morimoto salienta que a toxoplasmose pode ser uma doença assintomática e o parasita permanecer no organismo para o resto da vida. “Porém, nos pacientes portadores do vírus HIV o problema é mais sério, pois eles estão sujeitos à infecção pelo Toxoplasma gondii e à reativação do parasita, pois o vírus HIV ataca as células de defesa do organismo, podendo atacar os olhos e até desenvolver tumor na cabeça.”

Quando o organismo está debilitado, por exemplo nos casos dos portadores do vírus HIV, a infecção pelo Toxoplasma gondii pode se espalhar pelo coração, fígado, músculos, pulmão, olhos e ouvidos. Nesses casos, os sintomas vão desde uma dor de garganta a manchas pelo corpo, confusão mental, convulsões, encefalite, aumento do fígado e do baço, doenças pulmonares e cardíacas, e aumento dos gânglios espalhados pelo corpo (linfonodos aumentados).

A transmissão

Na maioria dos casos a doença é contraída por via oral, ou seja, pela ingestão de carnes cruas ou malpassadas, e também pelo consumo de água, frutas, verduras cruas contaminadas com oocistos do Toxoplasma gondii. A toxoplasmose não é contagiosa, mas ela pode ser transmitida da mãe para o feto durante a gestação.

Prevenção

  • Lavar bem frutas e legumes
  • Consumir apenas carnes cozidas
  • Lavar as mãos com água e sabão regularmente, principalmente antes das refeições. Também é importante lavar as mãos após lidar com carne crua ou malcozida e vegetais
  • Evitar o contato com a areia de gatos e lavar bem as mãos após este procedimento. As gestantes não devem ter contato com a areia de gatos
  • Manter o gato bem alimentado e sem acesso à rua para que ele não vá caçar animais para comer e acabar se contaminando
  • Evitar contato com as fezes de gatos e outros felinos
  • Usar luvas quando for mexer no jardim ou em vasos com terra
  • Acostumar o gato a só comer ração
  • Realizar o pré-natal desde o início da gestação
  • Manter bem limpos os utensílios de cozinha (facas, tábuas, colheres e escorredores) utilizados no preparo dos alimentos
Deve-se evitar comer carne mal cozida

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da doença é realizado através de uma avaliação clínica, da anamnese (informações e hábitos de vida do paciente) e de exames laboratoriais que identificam se a pessoa possui anticorpos contra o parasita da toxoplasmose no sangue. Também existe um exame realizado pelo médico oftalmologista que identifica no fundo do olho uma imagem típica de toxoplasmose.

O tratamento é feito com antibióticos durante quatro a seis semanas. A necessidade e o tempo de tratamento serão determinados pelas manifestações, locais de acometimento e principalmente estado imunológico da pessoa que está doente. São três as situações:

  • Imunocompetentes com infecção aguda: somente comprometimento ganglionar, em geral não requer tratamento; infecções adquiridas por transfusão com sangue contaminado ou acidentes com materiais contaminados em geral são quadros severos e devem ser tratados; infecção da retina (coriorretinite) deve ser tratada.
  • Infecções agudas em gestantes: devem ser tratadas pois há comprovação de que assim diminui a chance de contaminação fetal; com comprovação de contaminação fetal, necessita tratamento e o regime de tratamento pode ser danoso ao feto, por isso especial vigilância deve ser mantida neste sentido.
  • Infecções em imunocomprometidos: estas pessoas sempre devem ser tratadas e alguns grupos, como os contaminados pelo vírus HIV-1, devem permanecer tomando uma dose um pouco menor da medicação que usaram para tratar a doença por tempo indeterminado. Discute-se, neste último caso, a possibilidade de interromper esta manutenção do tratamento naqueles que conseguem recuperação imunológica com os chamados coquetéis contra a aids.

 

Fonte:

Sociedade Brasileira de Infectologia

https://www.infectologia.org.br/pg/833/toxoplasmose

 

Arquivado em: Saúde

Sobre Claudia Costa

Claudia Costa foi editora Folha de Londrina, suplemento da Folha da Sexta, durante 13 anos, e há mais de 17 anos está atuando em comunicação corporativa e marketing. Trabalhou nas empresas Unimed Londrina, Sociedade Rural do Paraná e Unopar. Atua na assessoria de imprensa e comunicação para AREL, SINDICREDPR e diversos profissionais liberais, principalmente, na área da saúde e diversas áreas de prestação de serviço.

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Comentários

  1. Italmar diz

    2 de janeiro de 2018 em 18:24

    Gostei da entrevista sobre Toxoplasmose. Mas quanto as vias de infecção o gato em particular não carrega nos pelo os ovos do parasita ( oocistos). As hortaliças e que carreiam os ovos.
    Assista o vídeo “Toxoplasmose é Fácil Prevenir” no YouTube. Tem uma explicação fácil de entender. Bjs

    Responder
    • Claudia Costa diz

      2 de janeiro de 2018 em 18:31

      Professor Italmar, os gatos não eliminam esses ovos do parasita (oocitos) pelas fezes?

      Responder

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