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Uma horta para chamar de sua!

19 de novembro de 2020 por Claudia Costa 3 Comentários

 

Por Claudia Costa

A vida moderna tem seus benefícios, mas também alterou muitos hábitos saudáveis das famílias brasileiras. Antigamente, quase toda casa tinha um jardim, uma pequena horta e até pomar com os principais temperos, verduras e frutas consumidas pela família. Hoje em dia, até nos bairros populares, o cimento impera nos quintais: nem plantas como as ervas (cidreira, erva doce, camomila, guaco, dentre outras) tão utilizadas pela vovó para fazer aquele chá milagroso que ajudava a diminuir o estresse ou mesmo os temperos básicos como salsinha e cebolinha, as pessoas têm plantados no quintal. Tudo tem que ser comprado. Muitos justificam que não possuem uma pequena horta por falta de tempo e também para evitar sujeira e trabalho com a limpeza das folhas. Porém, o que parece ser trabalho para algumas pessoas, para outras é uma terapia. Vários profissionais, de diferentes classes sociais, estão resgatando o prazer de cultivar os seus próprios alimentos e temperos. Além da qualidade do produto, que é fresquinho e livre de agrotóxicos, eles têm no cultivo um hobby e uma maneira de relaxar.

 

DORIS POZZI, MÉDICA EM LONDRINA-PR

Aéem dos netos, a médica Doriz Pozzi é apaixonada por sua horta e jardim

A médica Doris Pozzi é moradora de um condomínio de casas em Londrina. Há três anos ela começou a plantar folhas e legumes em bandejas e vasos. ”Ainda não fiz canteiros; tenho o privilégio de ter um quintal grande. Além da hortinha, gosto muito das frutíferas, mas essas em sua maioria estão no chão. Temos alguns pezinhos de café também, mas a minha grande paixão são as parreiras de uva. Essas requerem um longo aprendizado, acertos e erros”, conta ela, que cultiva em sua casa tomatinhos, alface, rúcula, beterraba e cenoura, além de maçã, nectarina, pera, amora, pêssego, jabuticaba, abacate, limão e as uvas.

 

O pé de amora esta carregado. A família da médica Doris Pozzi agradece

 

A médica tem pouco tempo durante a semana, mas explica satisfeita que já teve colheita: “Uso os finais de tarde para cuidar de tudo, incluindo as flores. O dia é puxado, mas os finais de tarde são prazerosos”, salienta.

Algumas verduras

“Os produtos da hortinha consumimos sempre, são uma delícia e muito gratificante! Uma boa parte das plantas ainda precisará de tempo para produzir, como é o caso dos pés de café que estão na primeira florada e os pés de uvas com os primeiros cachos, assim como os primeiros abacates e mangas.

Tomates

Doris Pozzi explica que cuidar da sua pequena horta e jardim é terapêutico. “Enquanto estou ali os pensamentos e preocupações desaparecem. Sou só eu e elas. O Ivan (médico Ivan Pozzi, seu marido) me apoia e se alegra com os meus sucessos. Temos três netos que, infelizmente, devido à pandemia não tem vindo há alguns meses aqui em casa. Mas certamente o cuidado com a natureza e a proteção do meio ambiente serão um legado a ser deixado para as futuras gerações. Meu pai também era médico e plantava em sítios da família. Além disso, cresci em Sertaneja (PR), região predominantemente rural.

 

A médica conta que a funcionária da sua casa não entendia o motivo por que ela plantava em casa as verduras e frutas. “Ela me dizia: ‘Por que você não compra pronto?’. Agora, até ela já está germinando algumas sementes, encantada com o processo. Acho que é muito importante ter atividades que nos tirem da correria do dia a dia. Eu escolhi plantar e estou muito feliz com os resultados”, salienta Doris Pozzi.

 

PEDRO ALEIXO, ENGENHEIRO E EMPRESÁRIO, DE BELO HORIZONTE-MG

Pedro com a filha Bia e as goldens Nina e Zoe

Ter uma alimentação mais saudável foi a principal motivação para o empresário Pedro Aleixo, morador de Belo Horizonte, a construir uma horta hidropônica em sua casa . Pedro explica que buscou a ajuda de um profissional para implantar o sistema de hidroponia em casa (neste sistema as raízes das plantas ficam imersas dentro da água). Ele também assistiu a alguns vídeos no YouTube e teve o apoio do cunhado que possui uma horta hidropônica. O empresário gasta em média sete horas semanais cuidando da pequena horta, onde cultiva almeirão, alfaces, espinafre, pimentas, dentre outros itens.

Na horta hidropônica da família mineira tem plantado beterraba, alface, espinafre, pimenta, ervas, tomatinhos, dentre outras hortaliças.

Ele conta com o apoio e o incentivo da esposa Carolina Pebba, da filha Beatriz, 3 anos, e das alegres Nina e Zoe, cachorras da raça golden retriever que sempre estão juntas da família quando Pedro está cuidando da horta ou quando Carol está colhendo as plantas para preparar o almoço. Aliás a hora da colheita das verduras e hortaliças é uma festa na casa da família:  “Ter uma horta em casa é uma terapia, muito bom para relaxar e a minha filha Bia curte bastante a hora de colher os produtos. Saboreamos as nossas verduras toda semana”, diz ele. Pedro Aleixo dá uma dica para quem deseja ter uma horta em casa: “Pesquise bastante e comece o quanto antes. É muito bom!!!”

 

BERNADETE KLEPA, FUNCIONÁRIA PÚBLICA APOSENTADA, LONDRINA-PR

Bernadete adora cuidar dos canteiros, onde planta ervas e verduras

 

Há quatro anos ela iniciou uma horta em casa. “Como o meu quintal é calçado, pedi ao marceneiro que fizesse um grande caixote. Ele fez em compensado naval, que é durável e aceita bem as mudanças climáticas. Minha horta é orgânica; uso uma mistura de terra normal com terra vegetal, esterco de gado e húmus, produzido na composteira (local onde a compostagem é realizada através do processo de transformação dos resíduos orgânicos em adubo de alta qualidade)”.

“Comecei minha pequena horta cultivando ervas e temperos que normalmente não encontro à venda. Tenho alecrim, bálsamo, erva cidreira, melissa, aloevera, manjericão, menta, hortelã, curry etc. Amo comidinhas com temperos naturais”.

“Todos os dias me ocupo durante, pelo menos, uma hora cuidando da horta e do jardim. Troco mudinhas, receitas e a colheita com minhas vizinhas, amigas e familiares. Meus pais migraram da zona rural para a cidade e durante quase toda a minha vida tivemos horta em casa. É uma terapia. A internet tem muita matéria sobre o assunto. Vale a pena trocar energia com a terra e ter alimentos frescos em casa. Eu Recomendo!.

Um curso que me ajudou bastante foi o da Embrapa: Horta em pequenos espaços”.

 

SAUL DANTAS, COMERCIANTE INFORMAL DE LONDRINA-PR.

A parreira de uva é o xodó de Saul Dantas que este ano terá a sua primeira colheita

Quem convive com o comerciante Saul Dantas conhece a sua paixão pela agricultura. Ele possui um ferro-velho em Londrina, onde há mais de dois anos tem uma pequena área em que cultiva tomate, almeirão, quiabo, cheiro verde, cebola e uva. Aliás, a parreira é o seu xodó. “Eu fiz algumas mudas da parreira e doei para outras pessoas”, diz ele. Dantas tem tanto amor pela terra que sempre que pode cultiva alguma árvore, frutífera ou não, legumes e hortaliças. Em dois terrenos próximos ao ferro-velho ele semeou abóbora e chuchu, além de árvores. “A base do homem é a agricultura. Esse ensinamento aprendi com a minha mãe, dona Apolônia Brunet, que sempre me contou muitas histórias sobre o meu pai, que não cheguei a conhecer. Ele tinha terras no Estado de Minas Gerais”, explica.

O comerciante morou quando jovem na área rural da região de Assaí e chegou a trabalhar como boia-fria. “Desde moleque gosto de horta, tínhamos em nossa casa. Ver uma cultura germinar, crescer e produzir é uma benção. Parece que a vida se renova espiritualmente. Sinto uma energia muito positiva quando vejo isso acontecer”, salienta.

Saul Dantas tem um pensamento notório sobre como viver em comunidade que é muito conhecido por seus amigos. Para ele, os prédios deveriam usar suas áreas comuns – alguns com grandes espaços somente com gramas plantadas – para produzir algum tipo de alimento para os moradores, podendo ser cheiro verde, verduras ou até mesmo algumas árvores frutíferas. Ele aconselha as pessoas a repensarem seus hábitos de vida. “Devem voltar às suas origens. Dão muita importância para produtos grandes e bonitos comprados em supermercados e feiras, mas se esquecem que as hortaliças, legumes e frutas comercializadas nestes locais, na maioria, são produzidas com o uso de agrotóxicos”.

O comerciante planta em um pequeno espaço do seu ferro-velho alguns legumes e frutas para o seu consumo e da família. Nas mãos uns tomatinhos que acabou de colher.

 

Arquivado em: Vale a pena

Sobre Claudia Costa

Claudia Costa foi editora Folha de Londrina, suplemento da Folha da Sexta, durante 13 anos, e há mais de 17 anos está atuando em comunicação corporativa e marketing. Trabalhou nas empresas Unimed Londrina, Sociedade Rural do Paraná e Unopar. Atua na assessoria de imprensa e comunicação para AREL, SINDICREDPR e diversos profissionais liberais, principalmente, na área da saúde e diversas áreas de prestação de serviço.

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Comentários

  1. Elisiê Peixoto diz

    19 de novembro de 2020 em 21:49

    Adorei essa matéria! Que bacana essas pessoas que buscam essa alternativa saudável ! Até numa varandinha de apartamento é possivel plantar algo. Quem mora em casa, então, que privilégio! Parabéns!

    Reply
  2. Sandra Piazzalunga diz

    20 de novembro de 2020 em 00:09

    Fiquei encantada as hortas em bandejas e caixotes!! Adoro plantas e comungo da opinião que é uma terapia deliciosa além de ser uma alternativa perfeita por uma vida saudável !!Parabéns Claudia pela escolha do temace pela matéria super agradável de ser lida !!👏👏😍😍

    Reply
    • Claudia Costa diz

      20 de novembro de 2020 em 07:56

      Obrigado Sandra pelo seu feedback e apoio. beijos

      Reply

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