Uma pessoa sensível, inteligente, determinada e uma profissional dedicada e exigente. Quem conhece a desembargadora Lidia Maejima sabe que essas são características muito marcantes de sua personalidade. Atualmente ela ocupa a segunda vice-presidência do Tribunal de Justiça do Paraná, cargo que tomou posse no dia 1º de fevereiro de 2017.
A desembargadora Lidia Maejima foi a idealizadora do projeto que ganhou o Prêmio Innovare 2015, na categoria Tribunal Implantado, quando era presidente da 4ª Câmara Criminal do TJPR, em 2014, em parceria com o Governo do Estado do Paraná e prefeituras. Essa foi a primeira vez que o Tribunal de Justiça do Paraná recebeu a premiação.
O Prêmio Innovare tem como objetivo identificar, divulgar e difundir práticas que contribuam para o aprimoramento da Justiça no Brasil. Participam da Comissão Julgadora ministros do STF e STJ, desembargadores, promotores, juízes, defensores, advogados e outros profissionais de destaque interessados em contribuir para o desenvolvimento do nosso Poder Judiciário.

O projeto premiado, denominado “Crianças e adolescentes protegidos”, garante documento de cidadania às crianças por meio da expedição de um registro biométrico, com a coleta das impressões digitais e a emissão de carteiras de identidade para todas as crianças matriculadas na rede de ensino público do Paraná. Além da garantia cidadã, o registro biométrico facilita a localização de crianças e adolescentes em caso de desaparecimento ou sequestro.
Em 1992, Lidia Maejima (então juíza) e o promotor de Justiça Carlos Bachinski, de Cascavel, escreveram o trabalho “Impressões digitais, combate à impunidade”. Esse trabalho foi transformado em projeto de lei federal em 1993 e na lei federal 9.454/97, em 7 de abril de 1997, que criou a identidade única no Brasil.
As impressões digitais são estudadas desde o começo do século XIX, mas só foram catalogadas em 1891, pelo croata naturalizado argentino Juan Voucetich. Curiosamente, o laudo do Instituto de Identificação do Paraná, que serviu de base para o trabalho, está datado em 1991, exatamente um século depois da criação do método.
Nesta entrevista exclusiva ao PORTAL IDEIA DELAS, a desembargadora Lidia Maejima fala sobre a paixão pela profissão, como vê os desafios da magistratura e salienta que o fato de ser mulher não difere dos desafios na carreira.
O que a levou a escolher esta profissão?
Desde muito cedo, eu me sentia incomodada com atos falhos praticados por pessoas de todas as idades e níveis socioeconômicos e culturais e sabia que, como juíza, poderia minorar, pelo menos um pouco, essas mazelas. Foi por isso que escolhi minha profissão, que é um verdadeiro sacerdócio.
Quais são os principais desafios de uma mulher juíza, desembargadora?
A de todo magistrado, independentemente de gênero.
Até onde a senhora pretende chegar na carreira?
Já cheguei além do que almejava e o futuro a Deus pertence.
Foi uma opção de vida ou as coisas foram acontecendo até chegar a desembargadora?
Escolhi a magistratura como minha profissão e cheguei onde cheguei como consequência natural de quem ingressa jovem na carreira e não se aposenta no meio dela.
Quando não está trabalhando, o que gosta de fazer?
Viajar.
O que a senhora falaria para um jovem advogado recém-formado?
Ter respeito a si próprio, à sua família, ao próximo, ao seu nome, à sociedade e ao planeta que o acolhe. Ser estudioso, honesto, dedicar-se ao trabalho com responsabilidade e compromisso com a verdade, cônscio de que toda ação/omissão terá, infalivelmente, a correspondente consequência, cedo ou tarde.
Como a senhora vê o papel da mulher no cenário jurídico?
A mulher tem tido o seu espaço e suas oportunidades. O desempenho profissional, a maior ou menor sensibilidade às diversas questões jurídicas, a eficiência/eficácia ou a produtividade não dependem de gênero. Dependem da personalidade, da subsunção (aprendizagem significativa que ocorre quando a nova informação ancora-se em conceitos relevantes), da experiência pessoal e profissional de cada um. O profissional sensato, responsável e comprometido com o seu papel na sociedade presta um bom trabalho no mundo jurídico, independentemente de gênero.
A senhora teve algum profissional que a inspirou na carreira?
Ninguém em especial.
Como está vendo o protagonismo do Judiciário no Brasil?
A operação Lava Jato, em especial, está exercendo um papel fundamental na construção de um Brasil melhor! Mas, outros magistrados também estão exercendo o seu árduo trabalho diário na busca da pacificação social, de forma anônima.
Qual a lição que a senhora acredita que o Brasil está tirando do atual cenário brasileiro (operações como a Lava Jato, do Gaeco, dentre outras)?
A consciência de que ninguém está acima da lei.
O que a senhora acha necessário acontecer para acabar com a corrupção?
Deus!!!
As leis no Brasil estão ultrapassadas?
Algumas leis precisam ser melhoradas. O que preocupa são as tentativas de acabar com a independência dos magistrados e do Ministério Público, a exemplo do projeto de lei do “abuso de autoridade” e outros.
Por que a Justiça é tão morosa? Como agilizar as decisões judiciais?
A Justiça não está mais tão morosa, hoje em dia. No Paraná, os processos judiciais eletrônicos estão tendo tramitação célere. Muitas vezes, a tramitação dos processos até a decisão definitiva (trânsito em julgado) é demorada em razão do excessivo formalismo processual que possibilita a interposição de muitos recursos para as diversas instâncias. Além disso, o excessivo número de processos acaba congestionando a Justiça. Nossos magistrados e servidores são operosos, preparados e trabalham muito. É preciso mudar a cultura da judicialização de todos os conflitos, que acaba ensejando o ingresso de milhões de ações na Justiça. Neste sentido, entendo ser necessário divulgar e incentivar políticas de conciliação em todos os segmentos da sociedade. Deste modo, muitas controvérsias não serão levadas ao Judiciário, uma vez que a composição entre as partes pode ser realizada por um mediador ou conciliador, devidamente preparado para tal.
Que estilo de música e cantor a Lidia Maejima mais gosta, pode citar uma música?
Gosto de todos os tipos de músicas. Tudo depende da ocasião. Só não consigo apreciar funk.
Suas férias inesquecíveis?
Todas que passei na companhia de minha família.
Qual a sua comida predileta?
Gosto de todas as comidas, mas sou quase vegetariana. Só não gosto de peixe.
Qual o seu objeto de desejo?
Nenhum.
Sua marca registrada?
Nenhuma. Tenho um estilo mais clássico, clean. Gosto de roupas simples e objetos que me fazem sentir bem, independentemente de marca.
Cite uma frase ou pensamento que tenha um significado especial para sua vida.
“A liberdade, que é fundamento essencial da VIDA, constitui o vértice do triângulo, cuja base repousa no direito e no dever.” (Pensamento logosófico.)


Como juíza em Londrina ou desembargadora no TJ, Lidia Maejima sempre foi profissional exemplar. Cumpridora da lei, faz tudo parecer simples e sua simplicidade é cativante. Como observador, vi a segunda vice-presidente do TJ na fila do Detran para fazer processo de transferência de veículo em Londrina. Ela segue o preceito de que a lei é para todos.
Muito bacana o portal, Claudia e Elisiê. Layout caprichado, de fácil navegação. Gostei da proposta. Vida longa para vcs neste projeto.
Tive o prazer de entrevistar a dra Lídia inúmeras vezes. Tenho por ela muita admiração. Parabéns pela entrevista.
Dra Lídia é grande profissional é excepcional ser humano . Parabéns pela matéria !
Pessoa de extremo profissionalismo , de sensibilidade ímpar.
Amei a matéria parabéns 👏👏👏👏👏
Parabéns a Dra Lidia.