
“Provavelmente ela não falava com tanta fluência e ele não escutava com tanta facilidade. Mas naquele momento era o que menos importava. Porque ambos sorriam. Havia lucidez, carinho e alegria”.
Por Elisiê Peixoto
Hoje pela manhã, ao abrir a janela do meu quarto, – a primeira coisa que faço ao me levantar – deparei-me com uma cena bonita, registrada na calçada da rua onde moro. Uma criança de aproximadamente três anos, conversava com um senhor idoso, perto dos 90 anos, numa cadeira de rodas. Bem, aquilo não era exatamente uma conversa, mas uma interação do presente, futuro e passado. Provavelmente ela não falava com tanta fluência e ele não escutava com tanta facilidade. Mas naquele momento era o que menos importava. Porque ambos sorriam. Havia lucidez, carinho e alegria.
Eu os conheço de longe porque ambos passeiam nesse quarteirão diariamente. A criança, acompanhada da mãe, e o senhor, de uma enfermeira. Diverti-me ao observar aquela menininha falar, falar… e o senhor apenas sorrir. Ambos sabiam exatamente o que estava acontecendo ali – e provavelmente somente eles estavam entendendo – alheios às pessoas em volta.
Aquela cena me trouxe a memória do que se trata o início e o fim. O começo de uma vida que se estenderá por anos e a finitude de um homem que provavelmente escreveu a sua trajetória em diversos capítulos e que agora deve estar próximo de seu capítulo final.
No sorriso daquele homem imaginei ele se lembrar da infância, da caminhada de muitas décadas até chegar à sua atual condição. Talvez os olhos daquele velho viam não apenas a criança, mas os dias que se foram, os amigos que partiram, os filhos que se mudaram, a esposa que se foi. Mas a criança não queria saber de nada disso, apenas queria brincar de conversar com aquele “velhinho” que esboçava um sorriso discreto com olhar melancólico.
A gente encara a nossa rotina cumprindo as mesmas tarefas, na correria, na repetição, sem dar conta de que a vida está passando tão rapidamente que cenas como aquela passam tão despercebidas! Entendi que nos pequenos detalhes há vida, em tudo existe vida para ser observada, presenciada, desfrutada.
Fiquei alguns minutos assistindo àqueles dois personagens numa cena que não é comum, mas que acontece. E que me deu um tema para essa crônica no final do dia, ao anoitecer. O mundo como um todo continua a ser um lugar de imprevistos e surpresas, nas mínimas coisas, e nos pequenos gestos a gente pode extrair alguma mensagem.
No outono, da minha janela, observo o vento que balança as árvores, as folhas que forram as calçadas, até nisso a gente pode tirar alguma mensagem. Porém nunca enxergamos além disso. Porque temos muita pressa e menos olhos atentos.
A presença daquela criança e daquele senhor, dois personagens que seguem o curso da vida, foi providencial na minha vida. Porque me despertou para algo que é necessário pensar. A vida é rápida. Muito rápida. E num momento, tornar-se o agora.
Essa crônica é sobre isso.
Que tenhamos menos pressa e olhos mais atentos para as boas coisas da vida.


Deusssss que lindooooo mamis!!!! Que mensagem, que verdade!!! Palavras sábias e cheias de amor que realmente nos faz refletir sobre valores e prioridades de nossa vida! Vc é preciosa mamis! Falou tremendamente ao meu coração!!!!
Qta sensibilidade e qta beleza nessa crônica!!É preciso calma, muita calma p apreciar a beleza q existe em tantos acontecimentos do nosso dia a dia!! A vida é agora, é sobre isso!! Parabéns amiga por mais uma bela crônica!! 👏👏👏👏