Single antecede a chegada do novo álbum, o primeiro em 9 anos
Ouça o single: https://orcd.co/hajaterapia
Haja terapia, single do álbum inédito de Simone, é de autoria do músico, cantor e produtor pernambucano Juliano Holanda, e chega hoje às plataformas de streaming, pela gravadora Biscoito Fino.

Foi contemplando os mistérios do mar, do céu, da lua e das estrelas que Simone buscou fôlego para encarar de frente os últimos dois anos da pandemia. Não só isso: a proximidade com o público, por meio das 37 lives que se dispôs a fazer no Instagram, também lhe ajudou e muito a recarregar as baterias. “Todo dia um convite para desistir bate à porta, mas a gente resiste e segue em frente”, festeja a Cigarra que, finalmente, após quase uma década dedicada somente aos palcos, retornou ao estúdio em setembro de 2021 para dar forma ao novo álbum. O mais recente, “É Melhor Ser”, havia sido lançado em 2013.
Haja Terapia desembarca hoje nas plataformas e tem muito a ver com os impactos que a Covid-19 trouxe para todos, inclusive para a própria cantora. Como diz a letra da canção de Juliano Holanda, “às vezes a vida é uma estrada sem acostamento”.
“Haja Terapia chamou muito a minha atenção, não só pelo fator pandemia que a gente ainda está vivendo, mas porque, além de tudo, a música é muito bonita. Ela cria imagens fantásticas. Fiquei impactada e muito emocionada. Quando você fatia o tempo nas terapias, vê também o tempo das coisas. E acho que ele correu mais a favor e de forma íntima para me ajudar a botar os meus demônios para fora”, filosofa.

“Haja Terapia” (Juliano Holanda)
Voz: Simone
Violão de nylon: Webster Santos
Baixo: Juliano Holanda
Bateria e udu: Rapha B
Foto – Nana Moraes
Letra
Há algo de calmo e de raso nesse leito profundo
Tem dias que o sal atravessa as paredes do mundo
A água em desnível acentua o relevo das horas
E um traço contínuo vai misturando o gosto das auroras
Roa e rebento
Às vezes a vida é uma estrada sem acostamento
Tem dias que o sol estilhaça as vidraças da sala
Eu tenho tentado escutar as palavras que você não fala
O cabide de roupas do quarto parece um espantalho
É só mais um ato falho
O demônio lunático pousa sobre a catedral em chamas
Aprendi a reconhecer a serpente pelo dourado das escamas
Metade das coisas que ele diz não faz o menor sentido
E a outra metade, eu preferia mesmo era nem ter ouvido
Já era pra ter saído
Mas há algo de flor e de asfalto nesses tempos encardidos
A peça já está no seu terceiro ato e os atores estão bem perdidos
Não sei em que altura da estrada a gente perdeu a poesia
Encontrei a metáfora mais clara que hoje me caberia
Pra evitar a azia
Me vesti com as paredes de casa, enquanto o lobo soprava lá fora
Tem dias que o tempo desgarra, e tem tempos que o dia demora
Abri a janela sabendo que o vento não me derrubaria
Eu tenho tentado fugir das notícias do dia
Haja terapia
Mas há algo de flor e de asfalto nesses tempos encardidos
A peça já está no seu terceiro ato e os atores estão bem perdidos
Não sei em que altura da estrada a gente perdeu a poesia
Encontrei a metáfora mais clara que hoje me caberia
Pra evitar a azia
Me vesti com as paredes de casa, enquanto o lobo soprava lá fora
Tem dias que o tempo desgarra, e tem tempos que o dia demora
Abri a janela sabendo que o vento não me derrubaria
Eu tenho tentado fugir das notícias do dia
Haja terapia


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