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A eterna e adorável espiã

1 de julho de 2018 por Claudia Costa 4 Comentários

Por  Edilson Pereira

James Bond apareceu no começo dos anos 60 como fenômeno pop. À maneira de Charles Chaplin dispensava apresentações. O nome falava pela lenda. Ele saiu de livros sem qualidades literárias para arrebatar multidões nas décadas seguintes. Os seus interpretes e o mundo mudaram, mas Bond não. Continuou o mesmo superheroi de carne e osso que faz coisas que até o cão duvida. Atrai mulheres como a última moda em Paris. O charme irresistível tira do sério garotas de todos os tipos, cores, países, raças, cabelos e altura. Bond é demais.

Quando estourou no cinema com O Satânico Dr. No, filme em que Ursula Andress deixa o mar num sumário biquíni branco desenhado e confeccionado por ela porque a atriz não gostou dos modelos à disposição, Bond já era fenômeno de vendas em livrarias londrinas. Ele jogou para escanteio espiões mal-encarados, musculosos, feios, chatos que não davam atenção a sexo e mulheres. Aqueles broncos só pensavam em degolar o inimigo ou enfiar a faca nas costas de um traidor – ou trair a pátria por uma bobagem qualquer. Bond quebrou o paradigma. Era solar, solerte e simpático.

O primeiro livro de Ian Flemming apontava para algo fora de série. Casino Royale, de 1952, foi sucesso tão grande que a editora emendou edições seguidas para atender a demanda. Bond deixou as livrarias e virou o Beatle do cinema. As pastas 007 foram moda. Executivos adoravam. Todos queriam algo de Bond. Incluindo as Bond girls. Surgiram tentativas de criar espiões como ele. O mais bem sucedido foi Flint, com dois filmes em 1966 e 1967 interpretados por James Corbun, grande ator, com  1.88 de altura. Ninguém chegou perto de Bond. Até hoje.

E as mulheres? Os anos 60 foram os da minissaia, revolução da década. Foi o tempo em que a emancipação feminina ficou incontrolável, inevitável e irreversível. E a Bond de saias? Houve a tentativa no cinema com Monica Vitti na pele de Modesty Blaise. Criada por Peter D’Odonnel, Modesty era complicada. Pegava bem nas histórias em quadrinhos de onde saiu. No cinema não deu liga a jovem com amnésia, fugitiva de acampamento de refugiados na Grécia no final da guerra para liderar quadrilha em Tânger e depois dar mãozinha para o Serviço Secreto Britânico. Complicou. Não funcionou.

Surpreende que longe de Londres, Paris, Nova York, Roma e Moscou, surgiu a grande espiã. Brigitte Montfort, nascida em Paris, filha da francesa Giselle Montfort com o estrategista nazista Fritz Bierrenbach. A mãe foi fuzilada no estilo Mata Hari e a garota levada para Nova York, onde estudou jornalismo em Colúmbia e trabalhou no conceituado Morning News. Top4games.net ganhou o  prêmio Pulitzer. Era boa. Viajava o mundo em busca de reportagens humanísticas e políticas. Linda, escultural, cabelos negros e olhos azuis. Poliglota, inteligente e gostosa. Marmanjos batiam os olhos e babavam.

Atrás daquele monumento de belos e atraentes olhos azuis havia a garota fatal, calculista e fria. Ninguém suspeitava ser espiã da Central Intelligence Agency e atender pelo nome de Baby. E muito menos não se opor em usar o corpo quente na guerra fria. Bond fazia o mesmo. Alguém pode indagar porque Brigitte não foi fenômeno pop mundial. Se fosse na França, Inglaterra ou Itália, a indústria do cinema não ia ignorar. Brigitte, assim como Bond em seu país, foi um fenômeno. No caso dela da pulp fiction brasileira. Suas histórias eram consumidas com avidez por milhões de leitores. Histórias escritas por Antonio Miguel de Los Ángeles Custodio Vera Ramírez, autor de livros de aventura, faroeste, espionagem e ficção científica. Morava em Barcelona e usava o pseudônimo de Lou Carrigan. Ele construiu a maior parte das quinhentas histórias de Brigitte Montfort.

Parece confuso Brigitte nascer em Paris, morar em Nova York, surgir no Brasil, ser espiã da CIA e as histórias serem escritas por um espanhol. Mas foi isso. Tudo começou em 1948, quando o jornal Diário da Noite, do Rio, encomendou a David Nasser uma reportagem espetacular para alavancar as vendas em bancas. Era um ás em fazer matérias sensacionais nem sempre baseadas em fatos reais. Nasser se juntou ao fotógrafo Jean Manzon que conhecia Paris como a palma da mão e inventou uma história de arromba. A tiragem do jornal foi para a estratosfera. A história era a seguinte.

Durante a guerra, a resistência francesa pediu para a linda namorada do guerrilheiro Paul Zingg ir para a cama com oficiais nazistas. Missão: obter informações relevantes. Ela chorou, esperneou, mas fez o que pediam. A coisa começava com sacanagem. Ela foi, fez, mas os nazistas descobriram. Foi presa e fuzilada peladinha na manhã de 15 de março de 1944 na prisão de Cherché Midi. A mistura de sexo e espionagem não era nova. A bailarina holandesa Margaretha Gertruida Zelle, conhecida por Mata Hari, também foi fuzilada na Primeira Guerra Mundial pelo mesmo motivo. Sexo em troca de segredos.

Nasser sabia onde pisava. Só não esperava sucesso enorme. Que continuou quando a história de Giselle foi reeditada em livros de bolso. Em 1956, os espanhóis Luis de Benito e Juan Fernandes Salmeron fundaram uma editora de livros populares no Brasil. A Monterrey. Eles começaram com um sucesso espanhol. O Coyote, um Zorro idealizado por José Mallorqui, abafou também aqui. Em 1961, os editores experimentaram em livro de bolso e papel jornal, as histórias de espionagem com o selo FBI que faziam sucesso na Espanha com a Editorial Rollán. Deu certo.

Então, sob direção de José Alberto Gueiros, a editora republicou a história de Giselle, a espiã nua que abalou Paris. Ela inaugurou a coleção ZZ7. Novo sucesso. Os editores perceberam que tinham ouro. Encomendaram personagem na mesma linha de Giselle, porque esta morreu. O negócio só podia continuar com a filha. E o final da história de Giselle foi burilado para permitir que tivesse a filha. Fritz Bierrenbach entrou na parada. Foi namorado que Giselle teve em 1938, antes da guerra. Era o pai da filhinha que nasceu antes de conhecer Paul Zingg. A confissão foi feita à Gabrièlle Lademe, amiga de cárcere. E, assim, no final da saga de Giselle, os editores abriram as portas para Brigitte Montfort brilhar enquanto Lou Carrigan estivesse vivo para contar suas histórias.

Dois outros dois escritores escreveram aventuras de Brigitte: Helio de Soveral e John Lack. Mas pouco. Quem achou o tom foi Carrigan. Era tão bom no negócio que parte da imprensa brasileira achou que fosse agente da CIA contratado pela editora. Lou Carrigan pode ter seus méritos. Mas não seriam tão grandes não fosse José Luiz Benício da Fonseca. O genial ilustrador brasileiro produziu as capas dos livros de bolso que antes eram feitas por um holandês chamado Hack. Mudou tudo. As capas funcionavam nas bancas de jornais como bife suculento para cão faminto. Marmanjos arfavam. Eram capazes de ver sensualidade até lendo bula de remédio. Benício usou de modelo a socialite carioca Maria de Fátima Priolli. Lindissíma. Eles, artista e modelo, deixaram para sempre a imagem inefável da mais letal, adorável e sensual espiã de todos os tempos. Brigitte Montfort. A James Bond de biquini.

Arquivado em: Colunistas, Crônica

Sobre Claudia Costa

Claudia Costa foi editora Folha de Londrina, suplemento da Folha da Sexta, durante 13 anos, e há mais de 17 anos está atuando em comunicação corporativa e marketing. Trabalhou nas empresas Unimed Londrina, Sociedade Rural do Paraná e Unopar. Atua na assessoria de imprensa e comunicação para AREL, SINDICREDPR e diversos profissionais liberais, principalmente, na área da saúde e diversas áreas de prestação de serviço.

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Comentários

  1. Dira diz

    5 de agosto de 2020 em 22:06

    Ainda tenho alguns desses maravilhosos livros que tanto me alegraram lá pelos anos 80!!

    Responder
  2. JOAO diz

    13 de novembro de 2020 em 13:08

    Essa merecia um filme. Li.muitas das histórias dela

    Responder
  3. Rosemary Moraes diz

    5 de dezembro de 2020 em 09:36

    Li vários desses livros que eram do meu tio. Eu gostava muito porque ela brigava pelos seus Johnnys. Tinha o N°1, que era o único no nível dela. Ela mudava de aparência sempre. Até negra, ficou. Muito legal

    Responder
  4. Cristina diz

    16 de outubro de 2021 em 23:15

    Incrivel, fui apresentada a Brigitte em 1.978. Fiquei apaixonada. Todas sonhavam ser igual a ela. Astuta, corajosa, não deixando sua sutileza…seu lado feminino aflorar.
    Mas falando em seu belo 007, vimos hoje o ator de Outlander, o belo SAM, venha a ser 007. Tipo interessante e faz jus ser nosso digníssimo espião, pois vistir a pele de 007 não é qualquer ator.
    PORÉM, tenho um segundo queridinho MICHELLE MORRONE, o belo italiano de 365 dias (título aqui no Brasil).
    Jovem, 30 anos, moreno desenhado a pincel. Foge um pouco do típico inglês….mas, mesmo assim, acredito que vestiria muito bem 007.
    Não sou escritora e nem tão pouco crítica….mas gosto de dar os meus pitacos.
    Por favor ….gostaria que interagissem, gosto de trocar ideias.

    Responder

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