Nesta terça-feira ( 03/01) tem festa na família Berbert e Santos, dia de comemorar os 9 anos da sapeca Valentina. Seu sorriso puro e angelical são motivos de inspiração para lutarmos por um mundo melhor.
Falar em inclusão é respeitar a vida de crianças como a jovem londrinense Valentina. Ela é filha do casal Michelle Berbert , executiva de vendas, e do administrador de empresas ,Paulo César dos Santos. Neste relato emocionante, a mãe Michelle fala sobre a vida da família com a chegada da filha que tem paralisia cerebral.
“Ela é minha segunda filha, eu tive uma gestação anterior, mas perdi a criança. A Valentina teve anoxia (falta de oxigenação no parto), o que gerou lesões cerebrais e epilepsia. Soubemos bem no início tudo que aconteceu por um insigth de Deus. Quando descobrimos o diagnóstico foi um pânico para ambos. O meu marido menos, mas eu me desesperei demais. Acho que por ser filha de médico, dr. Alair Berbert, e conhecer um pouco mais sobre a área da saúde, tudo me gerou muita angústia, medo e terror do futuro. Saímos do hospital já fazendo terapias de estimulação precoce e foi no caminho que a gente foi descobrindo as potencialidades da nossa filha
O apoio do psicológico foi essencial para nos dar suporte em relação a dor emocional. A filha idealizada não veio e tínhamos que dar conta daquela lindeza que Deus tinha nos mandado. Eu já fazia terapia antes mesmo de engravidar e continuei ao longo dos anos. Inclusive até hoje preciso desse apoio.

A vinda de um filho atípico balança e estremece todas as relações: conjugal, familiar, amizade e profissional. Na questão conjugal tivemos e temos muitos embates sempre. Como eu lido mais com a realidade do dia a dia, demandas e terapias, a exigência é muito maior pra mim. Essa exigência inclusive é minha. O Paulo César é mais tranquilo, ele é o responsável pela parte financeira da casa. E sou eu que lido diretamente com as cobranças e exigências da filha típica.

A Valentina trouxe um mundo de possibilidades para muitas pessoas. Eu acredito que minha filha é a minha missão de vida e com ela veio também as necessidades de um coletivo. Então, nossa Valentina ajudou a abrir meus olhos para esse mundo que precisa mais da inclusão em todos os aspectos que vai da saúde ao lazer. Londrina é uma cidade bem antenada na inclusão, temos políticas públicas voltadas ao público PcD (pessoas com deficiência). Em relação as outras cidades estamos na frente, mas sempre poderemos melhorar ainda mais.. As demandas desse público gira em torno de acessibilidade, saúde, educação, lazer que precisamos dar up-grade , pois em nossa Cidade estamos bem melhores do que ha 15 anos atrás.


A Valentina teve lesão em núcleos da base e cerebelo, problema que afetou a parte motora. A parte cognição dela é perfeita. Ela acompanha uma turma da escola regular, inclusive estuda em escola Municipal que é muito inclusiva. Como falar faz parte da área motora ela não consegue ainda, mas se comunica muito bem e se faz entender. Ela é uma PC nível 5 pelo Gross Motor Function Classification System (GMFCS). Sistema de classificação de função motora grossa na paralisia cerebral, o que a torna uma pessoa dependente total na parte motora. Valentina faz fisioterapia, fonoaudiólogo, terapia ocupacional, ballet inclusivo como terapias mas o que gosta mesmo é de ficar brincando como toda e qualquer criança.
Existe preconceito sim, comportamento “natural” do ser humano por desconhecimento. A partir do momento, que essas pessoas conhecem uma pessoa aíipica os medos vão embora e a aceitação passa acontecer. O pré-conceito é uma situação não vivenciada ou negada, por isso ela gera sofrimento. Já passei situações chatas, estranhas ,inclusive em ambiente familiar , o que causou um desconforto gigante, maior do que quando são com pessoas estranhas. Hoje em dia, eu e o PC ( Paulo Cesar) lidamos bem em relação a isso. Tentamos trazer a pessoa para perto de nós, desmistificando e aproximamos nossa filha Valentina dessas pessoas. Quando a gente acolhe esses preconceitos a gente transforma. Quando a gente briga a gente afasta e não conscientiza. Porém, nem sempre foi assim( rsrsrsrs). Já fui classificada até de “estouradinha”, briguenta e alguém muito acida. Entretanto, vi que o meu comportamento não atingia o que era necessário, e sim afastava mais e criava um ódio no meu coração que poderia me adoecer.
A rotina da nossa Valentina é de muito trabalho, pois tem muitas terapias, muitas exigências necessárias que cansam a todos. Mas tem os amiguinhos, brincam muito, ela vai para escola. Tem uma vida muito normal. Ela é uma criança muito caseira. Trazemos os amigos para perto de nós.
A saúde da nossa filha é ótima. Tem algumas demandas por conta da condição, mas ela é uma criança sensacional. Existe sim as demandas de cuidados. Ela já passou por algumas intercorrências na vida, mas felizmente ficou para trás e seguimos a missão.

A minha mãe, Maria Helena Berbert ( morreu em 2021 por consequência da Covid-19) sempre foi o meu esteio. Por mais que ela não conseguisse lidar muito com a condição da Valentina , ela amava demais essa netinha. Minha mãe tinha um problema de aceitação da paralisia cerebral, ela sofria muito com o diagnóstico, mas mesmo assim sempre esteve muito presente em nossas vidas e acredito que continua sendo “lá do céu”.
A Valentina adora dançar. Há pouco tempo iniciamos o ballet inclusivo. A gente dança com ela desde pequena. Essa atividade sempre fez parte da nossa rotina. Quando eu e o PC íamos na aula de dança, nossa menina sempre era tirada para dançar conosco. Nossa vida é divertida também.

Esperamos que nossa filha tenha autonomia na vida, que ela seja respeitada como um SER HUMANO nas suas demandas e que o seu futuro seja brilhante. Desejamos que a Valentina continue sendo essa menina que transforma o mundo ao redor dela. A gente não conversa muito sobre um FUTURO distante. O Futuro gera muita angústia, então deixamos as coisas fluírem com muito amor e aceitamos o que Deus tem para nós”, relata Michelle Berbert dos Santos.
Fotos: Arquivo pessoal


Parabéns por tão esclarecedora matéria. Aprendi muito! Grata!
Muito emocionante!
Nós fazemos planos enquanto Deus tem propósitos! Valentina tem muito a ensinar.💖
Viva a Vatentina!
Matéria muito interessante, emocionante.
Olá !
Passando por aqui para parabenizar a matéria e por nos apresentar essa família do Paulo César,da Michelle e da filha, a Valentina.
Tb temos um filho especial (PcD) , o Lucas.
Michelle e Paulo César, Deus nos deu esse presente,nossos filhos, que apesar de suas limitações, nos inspiram a cada novo dia a estarmos juntos,preparados para os desafios que estão por vir.
Que Deus esteja com vcs.,hj e sempre.
Abração .
Que lição de vida deMichele é Paulo César, grandes paia e guerreiros vitoriosos ,com força, fé em Deus se torna um grande amor nesta difícil tarefa ,parabéns a esta grande amada família 👪
Obrigada pelos elogios.
Onde tem amor tem muita transformação.
Parabéns a família! Parabéns para a lindona e guerreira Valentina!
Linda a história ❤️
Acompanho ela desde o nascimento, e a cada dia aprendo alguma coisa sobre a importância de viver feliz..
Amo essa família, mesmo a distância.
Exemplo de amor.
Mi e Valentina vcs são exemplo de vida, de amor e de luta! Deus sempre colocando colorido na vida de vcs na hora certa ! Mi e PC parabéns pela dedicação e comprometimento pois ser pai nesta realidade não é p qquer um, a grande maioria nem sequer inicia a jornada, e se inicia não se compromete… Vcs são vencedores! Bjo enorme Patty, Na, Marcelo e Matheus.
A história da querida Valentina com seus pais, Michele e Paulo é uma história de Amor.
Lindo, enorme, gostoso e corajoso. Que Deus os abençoe mais a cada dia.