As amigas Larissa, Flávia e Ana Luisa desenvolveram um estilo de vida que engloba colaborar entre si , tendo como filosofia uma rede de apoio entre elas e a sustentabilidade.

Por Claudia Costa
Usar as roupas dos irmãos mais velhos e até dos primos sempre foi um comportamento natural entre as famílias brasileiras, mas em Londrina essa atitude é uma rotina entre três amigas. Elas têm um grupo no whatsapp e estão sempre em contato.
Sustentabilidade, rede de apoio, mulheres que ajudam outras mulheres. Esses são alguns dos valores que unem a médica Ana Luísa e as advogadas Larissa Mirinel Nakamoto e Flávia Sella.
Laura e Mariana com o mesmo look

Elas compartilham roupas, acessórios e os brinquedos de seus filhos. São mulheres modernas, antenadas com seu tempo, profissionais atuantes e com uma vida financeira estável, mas que vivenciam a maternidade e suas experiências de forma colaborativa. As próprias crianças curtem receber as peças e os brinquedos dos amiguinhos. Durante a pandemia, as famílias não se encontraram, mas chegava na recepção dos prédios as sacolas com as peças e brinquedos.
“Sustentabilidade: compartilhar, reciclar e reduzir custos desnecessários”
Larissa Rosa Mirinel Nakamoto, advogada

A iniciativa de compartilhar as roupas e objetos começou com a advogada Larissa Nakamoto, 38 anos, mãe de Vicente, 7 anos, e Laura, 4 anos. Ela ficou amiga da advogada Flávia Sella quando esta era sócia de uma agência de viagens e a ajudou na compra das passagens da sua viagem de lua de mel com o marido, o advogado Fabiano Nakamoto, com quem é casada há 11 anos. O que era para ser apenas uma relação comercial se transformou em uma grande amizade. A advogada Flávia Sella é madrinha do casal de filhos da Larissa e a Larissa é da sua filha Mariana.

“A troca de roupas e acessórios aconteceu por acaso. O Vicente nasceu pequeno e eu não tinha comprado peças de recém-nascido. Ganhei muita coisa, ele demorava a perder as peças, pois não ganhava peso rápido. Já com a Laurinha foi diferente, ela sempre perdeu as roupas logo. E foi pensando em sustentabilidade e também para reduzir custos que começamos a repassar as roupas, sapatos e os brinquedos para os filhos das amigas, além de doarmos para algumas instituições”, explica ela.
Segundo Larissa, as próprias crianças entendem que as roupas são repassadas para as amiguinhas (o) e ficam felizes de usarem uma peça que foi delas.
Uma profissional de organização


E um detalhe, a advogada Larissa é uma excelente organizadora, ela ajuda as amigas a separar por cor e idade o enxoval e o guarda-roupa das crianças. A médica Ana Luisa diz que aprendeu com a Larissa a etiquetar e organizar as gavetas das roupas da filha Mariana.” A Larissa é fora de série, muito prendada e organizada. Aprendia com ela a etiquetar as gavetas com as roupas da minha filha. Isto facilita muito no dia a dia”, diz ela.
“Gosto do conceito de mulheres que ajudam mulheres”
Ana Luisa Berti Guimarães Sella – médica reumatologista

Quando a médica reumatologista Ana Luisa Berti Guimarães Sella, 38 anos, engravidou da filha Maria Augusta, atualmente com 5 anos, ela e o marido já tinham planejado que o casal teria apenas uma filha. Quando a garota nasceu, ela já tinha roupas, móveis, carrinho e brinquedos que foram do Vicente. Aliás, algumas roupas térmicas do Vicente foram muito úteis para a Maria Augusta quando ainda bebe viajou com seus pais para o exterior.
A médica salienta que gosta muito do conceito de mulheres que ajudam mulheres e da rede de apoio que possui com as amigas. “Acho importante e valorizo muito isto. Não temos a obrigação de devolver as peças que recebemos. Além disso, ensinamos para os nossos filhos a importância de compartilhar”, salienta Ana Luisa, explicando que quando recebe uma sacola de roupas das amigas, a filha Maria Augusta faz questão de experimentar todas. “Fotografamos e enviamos para o nosso grupo de whatsapp. E é muito legal ver as amiguinhas Maria Augusta, Laura e a Mariana curtirem usar roupas que foram de uma delas”, explica. Ana Luiza afirma que esta experiência de compartilhar suas coisas é muito importante para as crianças. “É um consumo consciente. Gosto desse movimento de participar e ajudar a montar essa “Vila de apoio” e desde cedo ir incutindo na cabeça da Maria Augusta como é gostoso e importante compartilhar”, salienta e médica
“Não precisei comprar roupas para a Mariana. Ela ela ganhou praticamente tudo”
Flávia Sella, advogada

A Advogada Flavia Sella, 39 anos, diz que até hoje não precisou comprar roupas para a filha Mariana (2,9 meses). “Minha filha tem mais de 100 sapatos. E a Larissa é maravilhosa, super organizada. Ela tem destreza, organiza um guarda-roupa, por cores, faixa etária, inclusive ajuda a gente na decoração do quartinho.”, explica ela reforçando a importância da amiga. Flávia diz que a filha recebe roupas, calçados e brinquedos de cinco crianças. “Também doamos para instituições as peças”, diz salientando que a amizade entre as famílias vem desde 2011. “ Sou madrinha dos filhos da Larissa e do Fabiano. Nossa amizade é muito importante para mim e nossas crianças se curtem”.

Fotos: arquivo pessoal das entrevistadas


Muito bacana essa matéria! Ótima ideia, simples e importante, diante de uma sociedade q privilegia o consumo pelo consumo. Parabéns!
Amei, muito leve e fofa a sua forma de contar a história ❤️
Menos consumismo.
Mais laços!
Perfeito!