Por Claudia Costa
Ainda é grande o preconceito entre os homens em fazer o exame preventivo de câncer de próstata por causa, principalmente, do exame de toque retal. Infelizmente, a falta de informação e o machismo de muitos homens dificultam o diagnóstico precoce da doença. A chance de cura do câncer de próstata é de 90% nos casos em que é diagnosticado logo no início.
No Brasil, um homem morre a cada 38 minutos devido ao câncer de próstata, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (15.391 casos/ano). A doença representa 28,6% dos casos de câncer no homem. Estimativa de novos casos: 68.220 (2018 – INCA)
Segundo o médico urologista Celso Fernandes Júnior, a chance de cura do câncer de próstata é de 90% nos casos em que é diagnosticado logo no início. “O homem não deve perder a oportunidade de diagnosticar precocemente a doença. O câncer de próstata é indolente. Ele não dá sinal e não tem sintomas específicos.”
Diagnóstico
O especialista explica que os exames preventivos são extremamente simples: exame de sangue (PSA – Antígeno Prostático Específico), o exame clínico/toque retal e ultrassom quando necessário. “Para confirmação do câncer é realizada uma biopsia”, explica ele.
Toque retal
O urologista explica que o exame de toque é rápido e indolor. “Realizamos o exame com o paciente em posição de pé e em 10 segundos. O toque retal é rápido e indolor”, salienta Celso Fernandes, dizendo que num simples exame de toque é possível identificar, em alguns casos, se a próstata está toda tomada pelo câncer. “Nesses casos, o tratamento é paliativo.”
Prevenção

O número de casos de câncer está crescendo em função do envelhecimento da população, do fator alimentar/obesidade e do estilo de vida (falta de atividade física, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas). Não se sabe a causa, mas os homens da raça negra têm maior propensão a ter câncer de próstata. Estudos apontam que afrodescendentes têm risco 60% maior de desenvolver a doença e a taxa de mortalidade é três vezes mais alta.
A hereditariedade é um dos principais fatores de risco para a doença. Um parente de primeiro grau com a doença duplica sua chance. Dois familiares com a doença aumentam essa chance em cinco vezes. Para quem tem casos na família, o recomendado pela Sociedade Brasileira de Urologia é procurar um urologista a partir dos 45 anos.
Uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente de origem animal, ajuda a diminuir o risco de câncer. Alimentos ricos em licopeno (encontrado principalmente em tomate e seus derivados, responsável pela cor vermelha intensa em outras frutas como a melancia) também ajudam na prevenção.
Tratamento
Celso Fernandes Júnior explica que nem todo caso de câncer de próstata é tratado com radioterapia, quimioterapia e cirurgia. “Há casos, dependendo da idade e da evolução da doença, que apenas acompanhamos o paciente de forma clínica, uma vigilância ativa”, explica o médico.
Vida sexual
A doença não altera a vida do paciente, porém o tratamento do câncer pode alterar a sua vida sexual. “Em casos de cirurgia radical, pode haver uma alteração de 20% a 60% de disfunção sexual, e de 8% a 12% de perda temporária ou definitiva da urina. Em tratamentos somente com radioterapia, os casos de disfunção sexual podem chegar a 5%”, explica Celso Fernandes Júnior.
“A próstata tem uma função reprodutiva. E, a partir do momento que o homem não deseja mais ter filhos, acaba teoricamente a função da próstata”, explica o médico, salientando que nem sempre, quando é retirada a próstata, o homem deixa de sentir prazer. “Esse homem deixa de ejacular, mas não de sentir prazer, pois o orgasmo acontece no nível cerebral”, esclarece o urologista.

O que é o PSA (Antígeno Prostático Específico)?
PSA é uma proteína que é produzida pelo tecido prostático. Se o homem tem tecido prostático, tanto benigno como maligno, ela será detectada no exame de sangue. Como a próstata, nos humanos, aumenta de forma benigna com o passar dos anos, o PSA também costuma aumentar. Da mesma forma, o PSA aumenta com o evoluir do câncer de próstata. Assim, se o PSA estiver aumentando, o urologista pode definir se a alteração do PSA é por uma causa benigna ou maligna.
O nível do PSA tem que ser considerado em função de vários fatores como o tamanho da próstata, idade e presença de nódulos ou inflamação na glândula. A interpretação do PSA é uma atividade complexa e deve ser feita por um especialista no assunto: o urologista. Como exemplo, um PSA baixo não isenta um paciente de ter câncer de próstata e um PSA alto não indica que tenha câncer de próstata.
Se o PSA está aumentado, pode-se utilizar uma técnica de imagem (geralmente uma ressonância nuclear magnética multiparamétrica) para investigar quais alterações existem na próstata. Mas a confirmação do diagnóstico de câncer de próstata necessita de um estudo anatomopatológico de fragmentos da próstata, a chamada biópsia da próstata.
Como o câncer de próstata é uma doença heterogênea, existindo tumores com risco alto e com risco muito baixo de mortalidade, o urologista é um importante profissional para orientar o paciente na decisão do tratamento da doença.
Dr. Túlio Meyer Graziottin, urologista – Porto Alegre, RS.
Portal da Urologia- https://portaldaurologia.org.br/faq/o-que-e-o-psa-antigeno-prostatico-especifico/
Novembro Azul

O Movimento Novembro Azul surgiu na Austrália em 2003, denominado Movember, em função das comemorações ao Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, realizado no dia 17 de novembro. No Brasil, o Novembro Azul foi criado em 2008 pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, com o objetivo de quebrar o preconceito masculino de ir ao médico e, quando necessário, fazer o exame de toque.
*** Matéria produzida em novembro de 2018


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