Dois casais contam como transformaram quilômetros em parceria, cumplicidade e felicidade

Por Claudia Costa
Quem disse que casamento exige compartilhar o mesmo endereço? Para alguns casais, o amor encontrou uma forma diferente de existir: cada um em sua cidade, mantendo a rotina, os compromissos profissionais e a individualidade, sem abrir mão da vida a dois.
A distância, que para muitos poderia ser um obstáculo, tornou-se uma escolha possível baseada em confiança, comunicação e encontros cheios de significado. É o caso da empresária Livia Affini, residente em Londrina (PR), e do pecuarista e empresário Vitor Morimoto, residente em Paranaíba (MS), juntos há quatro anos. Também da jornalista Benê Bianchi, de Londrina, e do securitário Paulo Henrique Custódio da Silva, de São Paulo, que vivem essa experiência há 15 anos, entre namoro e casamento.
Em comum, os dois casais têm outro detalhe importante: ambos já passaram por casamentos anteriores e acreditam que a maturidade contribui para o sucesso dessa dinâmica.
A saudade como ingrediente do relacionamento
Para Livia e Vitor, a rotina é simples: conversas pelo WhatsApp ao longo do dia e uma ligação à noite para compartilhar os acontecimentos do cotidiano.
Eles contam que, desde o início, sabiam que o relacionamento seria assim. Em geral, passam uma semana juntos e outra separados.
Entre as vantagens, Livia destaca a alegria dos reencontros e a possibilidade de manter sua rotina organizada. Já Vitor acredita que a distância reduz desgastes desnecessários. “Tenho menos tempo para desentendimentos bobos”, resume.
Por outro lado, o casal admite que sente falta da convivência diária. “Não dormir juntinhos todas as noites” e não poder compartilhar alguns momentos especiais estão entre as dificuldades apontadas por Livia.

Apesar disso, ambos afirmam que a confiança é o principal alicerce da relação.
“Pode até rolar alguma insegurança em algum momento específico, mas sabemos que a confiança numa relação à distância é primordial e, principalmente, muita comunicação para não haver nenhum mal-entendido que acabe gerando insegurança”, afirma Livia.
Vitor reforça: “A confiança tem que ser a base da relação”.

Os reencontros, segundo eles, acabam sendo mais valorizados do que em muitos relacionamentos tradicionais.
“Sempre que estamos juntos é gostoso, leve. Tentamos aproveitar da melhor forma possível. Acho que acabamos valorizando mais esses momentos do que casais que estão juntos diariamente”, dizem.
Mesmo morando em cidades diferentes, os dois não têm dúvidas sobre o status da relação.
“Me sinto casada, numa relação como a de qualquer outro casal. A distância não interfere em nada”, afirma Livia.
“Me sinto totalmente casado”, completa Vitor.
O casal já conversa sobre a possibilidade de morar junto futuramente, embora sem estabelecer uma data. Enquanto isso, segue acreditando que amor, respeito, comunicação e confiança são fundamentais para que a experiência funcione.
Uma história construída entre cidades
A história da jornalista Benê Bianchi e o securitário Paulo Henrique Custódio da Silva começou em 2010, na quadra da Mangueira, no Rio de Janeiro. Desde então, nunca moraram na mesma cidade.
Primeiro vieram as viagens entre Londrina e Rio de Janeiro. Depois, entre Londrina e Brasília. Hoje, a ponte aérea acontece entre Londrina e São Paulo.
“Nunca tivemos uma crise por vivermos esse relacionamento à distância”, conta Benê.
Segundo ela, a tecnologia faz toda a diferença. O casal conversa diariamente por telefone, videochamadas e mensagens. Além disso, mantém o compromisso de se encontrar a cada 20 dias, no máximo.

Benê acredita que a maturidade adquirida após experiências anteriores contribui para o equilíbrio da relação.
“Este é meu segundo casamento, e o dele também. Nossos filhos já são adultos. É outra visão de vida a dois. Não temos discussões financeiras, o que é um diferencial.”
Ela reconhece que existem vantagens e desafios. Entre os benefícios, destaca a ausência de desgastes provocados pelos pequenos conflitos da convivência diária.
“No relacionamento à distância, não sobra muito tempo para discussões dispensáveis.”, ressalta Paulo Henrique.
Por outro lado, há momentos em que a solidão aparece e situações que precisam ser resolvidas sem a presença do companheiro.
“Sem dúvida, existem momentos em que você precisa da presença do seu companheiro ou companheira, mas vai ter que resolver sozinho.”
Ainda assim, Benê acredita que a distância fortalece tanto a intimidade emocional quanto a física.
“Nos preparamos para os encontros. Quando você tem uma data para isso, fica mais prazeroso. A cada 20 dias, nos preparamos para esse encontro.”

Os dois fizeram planos para, no futuro, viver sob o mesmo teto. Mas sem ansiedade.
“Temos planos de estarmos sob o mesmo teto em mais três ou quatro anos, no máximo”, revela.
Sobre o principal aprendizado desses anos vivendo em cidades diferentes, Benê resume:
“A distância não significa nada. Podemos estar sozinhos estando juntos, assim como podemos nos sentir plenos estando distantes. O bom de estar com quem você ama e confia é isso: longe ou perto, você se sente amado.”
E deixa um conselho para quem está prestes a enfrentar essa experiência:
“Tente. Não tem uma receita e o que é bom para um casal pode ser um desastre para outro. Mas a gente só vai saber vivendo essa experiência. Se tiver medo, vai com medo mesmo. Pode ser surpreendente.”


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