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Ideia Delas

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Cláudia Costa e Elisiê Peixoto

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  • História da Nossa Gente Londrina 90 anos

Deixei o Brasil por um grande amor

9 de novembro de 2023 por Elisiê Peixoto 3 Comentários

Arte Fernando Peixoto

Você planeja uma vida a dois morando na cidade onde nasceu, talvez próxima à sua família, adaptada ao estilo de vida que sempre teve,  um casamento sem grandes surpresas, totalmente envolvida com o seu trabalho e círculo de amigos. Mas de repente você esbarra no grande amor da sua vida e tudo parece perfeito como nos seus sonhos. Mas com um pequeno detalhe: o amor é estrangeiro e mora  em outro país!

Talvez seu companheiro ou companheira não se adaptou ao estilo de vida brasileiro, não se apaixonou pelo Brasil, estranhou a cultura, idioma e tradição, ou simplesmente tem uma carreira estabilizada em outro país . E daí que a vida a dois será em outro país. E quem terá que se adaptar é você!  A pergunta é: você arriscaria?

 O Portal Ideia Delas entrevistou quatro casais de nacionalidades diferentes que optaram em casar e enfrentar as dificuldades, os prós e contras desta grande mudança. O final é o esperado por todos: o amor tudo vence. O amor rompe muralhas, enfrenta a distância, supera a saudade, cria pontes, ignora as diferenças, une-se às afinidades.  Vamos conhecer algumas histórias?

Por Cláudia Costa e Elisiê Peixoto

 

Kelly Cristina e Joel Brendon

“A dificuldade  sempre será a distância,  a falta do abraço, a saudade diária que  eu sinto da minha mãe, da nossa igreja local, familiares e amigos. Saudades do nosso jeito bom de ser brasileiro.” (Kelly)
Joel e Kelly, hoje, residindo nos Estados Unidos
Joel Brendon, americano, 44 anos,  diplomata americano  e Kelly Cristina, brasileira, 43 anos, advogada. Eles têm um filho com 5 anos.
“Nos conhecemos em Londrina, o Joel  havia retornado ao Brasil recentemente, e amigos da igreja nos apresentaram. A surpresa foi muito boa, pois nos tornamos amigos rapidamente e,  consequentemente, namorados.
Começamos a namorar em 2010, e durante os quase dois anos de namoro, o Joel entrou para carreira diplomática nos Estados Unidos. Isso só confirmou a nossa saída do Brasil, o que aconteceu logo depois de nos casarmos. Joel nasceu em  Valparaiso,   Indiana/EUA.
Nossa primeira mudança foi para Washington DC e foi onde tomei consciência de que estava em um relacionamento intercultural. Muitos desafios como novos costumes, clima, idioma ,comida, relacionamentos etc, não somente linkados aos Estados Unidos, mas em relação aos países que moraria futuramente devido à carreira diplomática .Aqui nesse ponto, o que fez e faz toda a diferença, é Jesus no centro  do nosso casamento, a base sólida que recebi da minha mãe, os valores inegociáveis, isso foi o que sempre me fortaleceu para enfrentar os desafios como ex-patriada.”
“Já residimos em Washington DC USA (3 vezes), São Paulo- SP,  Brasília-DF,
Luanda -Angola África  e Cracóvia-Polônia Europa .Agora estamos em um tour doméstico ( dentro do país), em Kentucky-USA.
Se for aconselhar alguém a mudar de seu país por um grande amor,  ressalto que se deve manter os pés no chão, ter um desejo profundo em aprender, encarar de maneira positiva e bem humorada os desafios, ser flexível sem negociar princípios. Mas principalmente, Jesus no centro, muita fé e entrega, na certeza de que tudo irá  cooperar para o seu bem.
A  maior dificuldade  sempre será a distância,  a falta do abraço, a saudade que eu  sinto da minha mãe, da nossa igreja local, familiares e amigos. Saudades do nosso jeito bom de ser brasileiro. Mas que ao mesmo tempo vale muito a pena estar longe, pois você entende o propósito pelo qual se vive, o cuidado de Deus e seus planos, gerando assim uma paz sem explicação, profunda e verdadeira. E mesmo separados por um oceano, fica a base sólida, valores recebidos , e com essa base nos vai sendo acrescentado  a rede de apoio local, das embaixadas e consulados pelos quais passamos, nova família, e grandes amigos por onde estivemos. Sou grata pelas  oportunidades maravilhosas, viagens, experiências extraordinárias, muito aprendizado e enriquecimento pessoal. Isso entre outros fatores são o lado muito positivo em morar fora de sua pátria”.

Marina Esteves Scrivener e Douglas Scrivener

“Meu conselho para quem conhece o amor da sua vida e ele mora em outro país é: simplesmente vá!” (Marina)
Marina e Doug, há 17 anos juntos na Inglaterra
Marina e Douglas com a filha Georgie
Marina Esteves Scrivener, 43 anos, brasileira , diretora de marketing, e Douglas Scrivener, inglês ,44 anos, gerente de viagem. São país de Georgie Ripley Esteves Scrivener
“Nós conhecemos em Leicester Square, em Londres. Moramos em Redhill, também na Inglaterra.

Em 2000 eu tranquei a faculdade de Relações Públicas na Universidade e viajei para a Inglaterra, com uma mão na frente e outra atrás. E numa noitada em Londres, literalmente, eu e o Doug nos “trombamos” e passamos a noite conversando. Depois de um mês começamos a namorar e o maior obstáculo para nós foi a distância. Isso porquê depois de 1 ano e 8 meses na Inglaterra, eu voltei para o Brasil para concluir a minha faculdade. O Doug veio comigo, mas ele estava com visto de turista e também não se adaptou no Brasil. Ele tinha muitas saudades da vida dele em Londres, da família e dos amigos, não se adaptou à cultura, clima. Durante 3 anos ele vinha e voltava e foi muito difícil. Quando me formei optamos em tentar a vida na Inglaterra e em 2007 alugamos nosso primeiro apartamento juntos em Londres. Nunca mais nos separamos.

Meu conselho para quem conhece o amor da sua vida e ele mora em outro país é: simplesmente vá! A vida é muito curta para exitar! Eu sou exemplo disso. E o Doug também, quando deixou tudo em Londres para vir ao Brasil e ficar comigo. Foi a maior prova de amor ! E olha só, eu reconheci isso e larguei tudo para residir definitivamente com o meu grande amor.no país dele. Somos felizes, temos uma filha linda, um bom emprego, nossa casa, meus sogros são fantásticos, me dou muito bem com as minhas sobrinhas e cunhada, tenho uma boa rede de apoio que é fundamental.
E outro conselho é: esteja preparado para se abrir às mudanças. Trata-se de uma mudança drástica porque sair do Brasil para a Inglaterra envolve muitas mudanças. Eu moro aqui há 17 anos e até hoje não consigo me adaptar ao clima. De novembro a fevereiro escurece no meio da tarde e a gente fica sem ver o sol durante semanas! Mas claro que há muitas vantagens e coisas boas. Nada irá substituir a nossa família, os amigos que fazemos na infância, mas a vida se encarrega de nós oferecer outras coisas positivas. E estar ao lado do amor da nossa vida e ter a sua própria família é maravilhoso. Então, com toda certeza, vale a pena!”

Vanessa Sahão e  Zubair  Anwa

“No início, Zubair ficou apreensivo com a minha adaptação por causa do inverno rígido e por ficar longe da minha família, mas ele sempre foi muito  carinhoso e acolhedor”. (Vanessa)

Vanessa Sahão e Zubair Anwar moram no Canadá e estão casados ha 22 anos

Um início, a julgar despretensioso e lúdico, não contava com este fim! Quando junto com o primo Gustavo, ela fazia uma incursão curiosa pela internet , ao recém instalado programa ICQ, , um dos primeiros programas a permitir que os usuários trocassem mensagens de texto em tempo real com seus contatos na internet. Desencadeou ai a história de forma bem humorada.

Naquela época não era tão comum esse contato pela internet. O primo Gustavo, morador de Londrina, entrou em uma sala de bate-papo e mostrou o perfil de Zubair Anwa para ela. Até porque, naquela época, ele mencionava a oportunidade de vir ao Brasil. A partir daí, Vanessa iniciou uma comunicação esporádica com  Zubair.

A londrinense anteriormente já tinha programado ir para os Estados Unidos visitar familiares e Zubair foi visita-la. Coincidentemente, ele também tinha familiares na mesma região, em Oklahoma.

Em 1998, foi a vez de Zubair Anwar vir ao Brasil. Ele esteve no Rio de Janeiro participando de uma Conferência das Nações Unidas (ONU). Formado em física e economia, poliglota ( ele fala seis idiomas) Zubair ocupava uma importante função na ICAO – Organização da Aviãção Civil Internacional da ONU, responsável pelo planejamento econômico da aviação civil mundial.

Vanessa Sahão foi para o Rio de Janeiro encontrá- lo. “Nós tínhamos uma maravilhosa conexão “, explica o apaixonado Zubair.  Vanessa,  no período de decidir seu futuro, era empresária no segmento de uniformes hospitalares descartáveis.  Ponderou e replanejou seus dias em virtude da mudança que se propunha fazer para o Canada, e assim o fez!

“No início, Zubair ficou apreensivo com a minha adaptação por causa do inverno rígido e por ficar longe da minha família, mas ele sempre foi muito carinhoso e acolhedor”, explica Vanessa. Chegando ao Canada, na província de Quebec, onde foram morar, ela foi estudar francês para dominar este idioma e também para manter contato com outras pessoas.  Vanessa diz que se sente totalmente integrada à vida naquele país, onde trabalhou até aposentar-se em uma loja de departamentos de recursos humanos e serviços aos clientes.   Atualmente o casal está aposentado profissionalmente e vêm com frequência ao Brasil, onde Zubair Anwar se sente totalmente integrado a família Sahão, e a cultura local. O casal esta casado há 22 anos e mora em Montreal.

 

 

Luciana Colli e Michael VanHook

Quando nos mudamos para nossa casa eu passei a ficar mais tempo sozinha durante a semana, mas nos finais de semana ele sempre me leva para algum lugar novo para fazer uma trilha, para uma cidade diferente, sempre se preocupa porque eu fico muito tempo só. Ele cuida muito bem de mim. Também participamos de uma igreja, e fiz amizades muito especiais nela”. (Luciana

 

Luciana e Michael casaram-se em Londrina e atualmente moram nos Estados Unidos

A analista de sistema londrinense, Luciana Colli VanHook,  mora atualmente em Hebron, Kentucky, Estados Unidos. Ela é casada  há 10 anos com o americano Michael VanHook, professor de inglês na Randall K. Cooper High School.

O relacionamento deles começou de forma inusitada . “ A minha médica ginecologista, que é uma amiga, era noiva do melhor amigo dele. .Ela me falou muito bem dele e pediu para eu enviar minha foto para o Michael. Claro que mandei as melhores, e ele gostou. Começamos a nos falar em outubro de 2010 por e-mail, depois Skype, telefone, então em fevereiro de 2011 eu vim passar as férias nos Estados Unidos. Nesta época começamos a namorar.  Namoramos durante dois anos e cinco meses, e nesse período nos vimos pessoalmente 99 dias, sempre nas férias, quando ele ia para o Brasil ou eu vinha para cá. Ele me pediu em casamento em julho de 2012 e nos casamos em julho de 2013”, explica Luciana.

Michael pediu desligamento do trabalho dele na escola e 15 dias antes do casamento chegou no Brasil de mala e cuia.  O casal morou por oito anos em Londrina (PR). “ Eu e o Michael sempre conversávamos sobre vir morar nos Estados Unidos, era sempre algo mais distante, para quando eu me aposentasse, porém com a pandemia tudo mudou. Comecei a trabalhar em home office, e ele tinha vontade de voltar a dar aula aqui nos Estados Unidos. Oramos sobre isso, ele fez entrevista em uma escola e passou, eu conversei com meu chefe e ele me falou que eu poderia continuar trabalhando em home office daqui. Foi tudo muito perfeito, Deus cuidou de todos os detalhes”, ressalta Luciana.

Ela explica que não sentiu medo  de deixar o Brasil e fixar residência nos estados Unidos. ”Medo eu não senti, foi algo orado, pensado, decidido, mas senti muito frio na barriga. Sempre morei em Londrina, nunca morei longe da minha família, dos amigos. Eu já havia vindo várias vezes aos Estados Unidos e sempre gostei daqui, da cultura, então isso também não me amedrontou”, diz.

O Michael foi  em julho de 2021 para os Estados Unidos e ela ficou no Brasil para resolver detalhes burocráticos  e vender suas coisas.” Cheguei aqui em 26 de setembro de 2021, dia do aniversário dele. Nos primeiros três meses ficamos hospedados na casa da minha sogra, que é uma pessoa muito amável, enquanto procurávamos um lugar para nós. Foi muito bom ficar na casa dela no começo, pois não tive que ficar sozinha. O Michael ficou muito doente quando chegou aqui, tomava muitos medicamentos, então chegava da escola muito cansado, sonolento, não conseguíamos conversar, e assim foi durante o primeiro ano, isso foi o maior desafio pra mim. Quando nos mudamos para nossa casa eu passei a ficar mais tempo sozinha durante a semana, mas nos finais de semana ele sempre me leva para algum lugar novo para fazer uma trilha, para uma cidade diferente, sempre se preocupa porque eu fico muito tempo só. Ele cuida muito bem de mim. Também participamos de uma igreja, e fiz amizades muito especiais nela”.

“Nos finais de semana o Michael sempre me leva para algum lugar novo, para fazer uma trilha”, explica Luciana

Segundo Luciana, sua maior dificuldade em morar em outro país é ficar longe da família. “Ficar longe do meu pai, das minhas irmãs, sobrinhos, amigos é difcil. Eu nasci em Londrina, então tenho amigas de infância, amigas da faculdade, sempre estávamos juntas. Finais de semana sempre eram com a família. Essa parte é bem dolorida”.

O casal não descarta um dia voltar a morar no Brasil.” O Michael gosta muito do Brasil, gosta muito das pessoas, fez boas amizades. Somos cristãos e temos uma sintonia muito grande em relação a buscar a vontade de Deus para nossas vidas, então em toda decisão oramos juntos pois queremos estar no centro da vontade do Pai, se for da vontade d’Ele com certeza voltaremos! Mas por enquanto vamos para passear e abraçar todo mundo!”.

Fotos  do arquivo pessoal dos entrevistados

Arquivado em: Destaque Marcados com as tags: #amorpratodavida#portalideiadelas#, #amorvencebarreiras, #brasileiramorandofora, #grandeamor, #moronoexterior, #mudancadepais, casamento, deixarafamilia, longedafamilia, morar noexterior, viveremoutropais

Sobre Elisiê Peixoto

Elisiê Peixoto foi colunista da Folha de Londrina durante 18 anos, lançou cerca de 30 livros. Atuou num programa semanal da extinta TV Mix, escreveu para diversas revistas, trabalha como jornalista e escritora na Editora Mondo. Como colaboradora da Ong Nós do Poder Rosa escreveu cinco livros em prol das causas da mulher. Atua junto ao departamento de marketing do Roberta Peixoto Academy.

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Comentários

  1. Édno de Souza diz

    9 de novembro de 2023 em 16:21

    Luciana Colli e Michael VanHook, este casal e uma benção desejo toda felicidade do mundo para eles, e que possam realizar todos os seu sonhos, alinhado com a vontade de Deus.

    Reply
  2. Edna diz

    9 de novembro de 2023 em 18:58

    Luciana Colli e Machael que Deus continue abençoando a vida de vocês. Que seus sonhos sejam os sonhos de Deus. Felicidades.

    Reply
  3. Roberta Peixoto diz

    10 de novembro de 2023 em 19:25

    Ahhh que lindaaa matéria! Desses casais tenho um amor muito grande por duas amigas! Marina e Kelly vcs são muito especiais. Fico muito feliz por suas conquistas e estou animadíssima porque em pouco tempo seremos eu e meu marido para realizar o mesmo! Deus no controle! Amo vcs!
    Makis parabéns pela matéria, mto legal!!!

    Reply

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