O Projeto “Gal 75” traz duetos com dez artistas e comemora os 55 anos de carreira da cantora

Ouça: “Juventude Transviada”
link: https://orcd.co/juventudetransviada
Ouça “Meu Bem, Meu Mal”
link: https://orcd.co/meubemmeumal
Mais dois singles do novo álbum de Gal Costa ganham as plataformas digitais, dando sequência ao projeto de lançá-los aos pares até a edição dos formatos físicos, em fevereiro de 2021, pela gravadora Biscoito Fino. Depois de Rodrigo Amarante e Zeca Veloso, os dois próximos singles trazem as colaborações de Seu Jorge e Zé Ibarra, em canções de Caetano Veloso e Luiz Melodia.

O projeto, que tem o título provisório de “Gal 75”, traz dez artistas, de diferentes gerações, relendo clássicos gravados por Gal ao longo de seus 55 anos de carreira fonográfica. Em ordem alfabética, são eles Criolo, Rubel, Rodrigo Amarante, Seu Jorge, Silva, Tim Bernardes, Zé Ibarra e Zeca Veloso; o português António Zambujoe o uruguaioJorge Drexler completam a lista.
“Juventude Transviada”, clássico do repertório de Luiz Melodia lançado no álbum “Gal Tropical” (1979), ganha dueto com Seu Jorge, voz que Gal Costa admira desde sempre e com quem inaugura parceria. “No momento em que decidimos ter essa canção no projeto, pensamos que seria fundamental convidar um artista que tivesse um entendimento profundo não apenas da obra, mas também da persona de Luiz Melodia. A imagem de Seu Jorge surgiu imediatamente em nossas cabeças. Mesmo antes de lembrarmos dos dois em ‘Casa de Areia’, o filme de Andrucha Waddington, em que Seu Jorge e Melodia interpretaram o mesmo personagem, em idades diferentes. Tudo fez mais sentido”, conta Marcus Preto, idealizador do projeto. “Seu Jorge gravou a voz e o violão em seu estúdio, em São Paulo, sem que Gal soubesse ainda dos detalhes do arranjo. Quando ouviu a base pronta, duas semanas depois, a cantora ficou completamente hipnotizada com os graves de seu convidado, soando duas oitavas abaixo da voz dela na primeira parte da canção. Seu Jorge traz Melodia sem jamais tentar se parecer com ele, isso é genial.”
Com Zé Ibarra, Gal regrava “Meu Bem Meu Mal”, de Caetano, originalmente incluída em “Fantasia” (1981). Filho de mãe chilena e pai carioca de origem baiana, Ibarra é vocalista, tecladista e um dos compositores da banda Dônica. Pela voz de Zé Ibarra, Gal se apaixonou quando o ouviu ao lado de Milton Nascimento no show da turnê “Clube da Esquina” (2019), no qual cantava com Bituca em boa parte das canções. Ibarra assume o piano da gravação que co-produziu com Felipe Pacheco Ventura e Marcus Preto.

Sobre Gal, Zé Ibarra escreve: “Me lembro como se fosse hoje eu conhecendo pela primeira vez a terra da minha avó. Pra mim, menino do Rio, chegar naquela ilha, naquele lugar tão pé na terra, cajueiro no quintal, já seria por si só um acontecimento memorável. Mas me lembro, acima de tudo, do meu pai tirando da mala e colocando no aparelho de som um vinil que ele tinha levado do Rio para que ouvíssemos juntos. O vinil era “Gal canta Caymmi” e foram naqueles cinco dias de muita praia, muita moqueca e muita rede, que conheci a Gal. Agora, 20 anos depois dos dias em que talvez eu tenha vivido o maior êxtase estético da minha vida, estamos eu e ela, a grande protagonista da minha vida musical, gravando um fonograma juntos. Não sei muito o que dizer nem o que pensar, só espero, de verdade, que eu possa ter, de alguma forma, feito um bem qualquer para ela, assim como ela fez e continua a fazer por mim, desde aqueles dias na Ilha de Itaparica”.
Marcus Preto conta: “Quando dois artistas fazem um dueto, é preciso que ambos estejam confortáveis com o tom. Em alguns casos, quando a mesma tonalidade não serve pra os dois, é preciso criar modulações (trocas de tons no meio da música) dentro do arranjo. A faixa do Zé Ibarra tinha disso. Mas uma coisa inesperada aconteceu. Quando abrimos a sessão pra gravar a voz de Gal, Zé já tinha colocado sua voz definitiva na parte mais grave. E deixou uma voz guia aguda pra que entendéssemos os encaixes que imaginava (o piano foi tocado por ele). Gal gravou a parte aguda no mesmo tom que canta em shows, e ficou lindíssima, como sempre fica. No final, pedi que ela fizesse, de brincadeira, também a voz mais grave. De cara, Gal achou que não ficaria bom, mas insisti. Pronto. Foi uma choradeira instantânea no estúdio assim que ela começou a gravar. Logo no primeiro take, ficou decidido: vamos inverter as vozes. Zé topou que sua guia fosse elevada a voz definitiva, misturando-se com a de Gal ao ponto de quase se confundirem”, pontua. “Essa experiência explicitou o que há de mais profundo nesse novo trabalho: a influência monumental de Gal Costa não apenas entre as cantoras, mas também no canto masculino da música popular brasileira. Mãe de todas as vozes, homens e mulheres”, conclui.
Por terem sido produzidas em meio à pandemia, as dez faixas de “Gal 75” foram gravadas em seis cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Lisboa, Madri, Los Angeles e Vitória.
Ficha técnica dos singles:
MEU BEM, MEU MAL (Caetano Veloso)
Produzida por Felipe Pacheco Ventura e Marcus Preto e Zé Ibarra
Zé Ibarra – Voz, piano
Felipe Pacheco Ventura – Violinos, violas, arranjo de cordas
Marcus Ribeiro – Cellos
JUVENTUDE TRANSVIADA (Luiz Melodia)
Produzida por Felipe Pacheco Ventura, Marcus Preto e Seu Jorge
Seu Jorge – Voz, violão
Gabriel Vaz – Percussões
Felipe Pacheco Ventura – violinos, violas, baixo, samples, arranjos
Marcus Ribeiro – Cellos


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