O Museu Histórico Padre Carlos Weiss, em Londrina, recebeu, nesta quarta-feira, 29 de julho, uma noite marcada pela emoção, pelo afeto e pela valorização da memória. Familiares, amigos e representantes da sociedade londrinense prestigiaram o lançamento do livro “Nádia Sahão, uma matriarca libanesa”, obra biográfica escrita pelo jornalista Fábio Loporini e publicada pela Editora Engenho das Letras.
Por Claudia Costa
Aos 98 anos, dona Nádia Abib Sahão é uma referência de força, generosidade, alegria e amor à família. Sua história se confunde com a própria trajetória de Londrina e com a contribuição da comunidade libanesa para o desenvolvimento da cidade.
Dona Nádia e o marido, Assad Sahão, in memoriam, construíram uma linda história de amor, trabalho e dedicação. A família reside em Londrina desde 1950. Ela nasceu em Ibitinga, no interior do Estado de São Paulo, e ele no Líbano. Primos, tiveram trajetórias diferentes até o casamento. Dona Nádia estudou em um colégio interno no interior paulista, enquanto Assad começou a trabalhar ainda muito jovem, tornando-se um homem reconhecido pela dedicação e pelo espírito trabalhador.
Assad veio para o Paraná para trabalhar com o irmão, Salim Sahão, que havia adquirido terras no Norte do Estado. Em sua atividade profissional, comprava cereais e, principalmente, café, viajando até duas vezes por semana para Paranavaí para negociar a aquisição do produto.
A história de amor do casal ganhou um novo capítulo em 1949, quando Assad soube que Nádia tinha um pretendente em Ibitinga. Sem perder tempo, ele foi pedir a mão da jovem em casamento. Dona Nádia conta que, inicialmente, não queria deixar a mãe, Victoria, que era viúva.
“A Nádia não vai sair da nossa família”, teria afirmado Assad, que era 11 anos mais velho. E assim aconteceu. Em janeiro de 1950, os dois se casaram e se mudaram para o Paraná, onde construíram sua vida e formaram uma família muito unida.
O casal teve quatro filhos: Vitória, Ricardo, Vanessa e Eduardo. Dona Nádia é também avó de quatro netos e bisavó de dois bisnetos. Como toda grande matriarca, ela é o centro afetivo da família, que permanece reunida ao seu redor, preservando os laços, as tradições e os valores transmitidos ao longo das gerações.
Conhecida como uma exímia cozinheira e grande quituteira da culinária árabe, dona Nádia transformou as receitas familiares em um importante legado cultural. Ela chegou, inclusive, a publicar um livro com suas receitas. Conta que sua mãe nunca lhe entregou diretamente a responsabilidade pela cozinha da casa, mas ela permanecia por perto, observando atentamente e aprendendo cada preparo.
Suas lembranças também revelam o bom humor e a espontaneidade que fazem parte de sua personalidade. Em uma das visitas à mãe, em Ibitinga, dona Nádia colocou os quatro filhos “de molho” em uma banheira com sabão em pó. “As crianças brincavam muito e a terra vermelha de Londrina deixava elas marrons”, relembra, divertida.
Mais do que registrar a trajetória de uma mulher, o livro resgata parte da memória de Londrina, da imigração libanesa, da formação das famílias pioneiras e de uma época marcada pelo trabalho, pela coragem e pela esperança.
A presença expressiva dos londrinenses no lançamento demonstrou o carinho e o reconhecimento dedicados a dona Nádia. A cidade compareceu para abraçar uma mulher que não apenas viveu a história de Londrina, mas também ajudou a escrevê-la com sua família, sua cozinha, seus valores e sua generosidade.
A noite foi uma celebração das raízes, da memória, do amor familiar e do legado de uma mulher admirável. A vida de dona Nádia Sahão agora está eternizada nas páginas de uma obra que permitirá às futuras gerações conhecerem a trajetória de uma verdadeira matriarca libanesa.


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