
Por Elisiê Peixoto
“Acredito que esse tempo em casa nos ensinou muita coisa, principalmente, a falta que faz o contato físico, a valorização das boas amizades, a importância da família. Para alguns, a cegueira espiritual também acabou, estamos aprendendo com Deus. E mais de Deus.”
Estou aprendendo a conviver com ele: o isolamento social. No começo achei que seria algo mais rápido, acabava de voltar de uma viagem de férias em Portugal e Espanha, com a bateria recarregada, louca para começar a trabalhar, cuidar da vida, com projetos novos. Mas de repente ele chegou, forçosamente, e me plantou dentro de casa. De início até trocamos uma certa confidência, afinal, éramos apenas nós dois, a Elisiê e a presença do isolamento revelada no silêncio.
Com o tempo, e caindo na real de que a coisa era maior do que se imaginava, tive que aprender a desfrutar da sua companhia, tornamo-nos mais próximos, fomos nos adaptando, criando algumas possibilidades como arrumar gavetas, armários de cozinha, trocar as cadeiras da sala de jantar, redecorar quarto, experimentar receita, comer a receita, varrer a casa, limpar a casa, e por ai afora.
A coisa cresceu, estendeu-se, e aconteceu o inevitável. Comecei a gostar da quarentena. De ficar em casa sem compromisso, de pijama, devorando bombons e Netflix. Relaxando, eventualmente, para idas ao mercado, farmácia, um cafezinho discreto com a amiga, um bolinho com outra, saindo de carro com a filha, rompendo a quarentena apenas para os almoços de domingo em família. Mas não permiti tudo isso me vencer, rompi com a preguiça e com a falta do que fazer.
Ninguém está feliz na quarentena. A gente cansou, apenas estamos nos adaptando à ela. Vamos nos acostumando às novas regras e tentando levar para não surtar. O problema é gostar demais do distanciamento social e acostumar-se a ele. Enquanto é ótimo não precisar pintar o cabelo porque não saímos de casa, desculpar-se pelos quilos a mais porque as atividades físicas estão restritas… tudo tranquilo. Sabemos que a conta vai chegar a qualquer momento, inclusive na balança! Mas começa a complicar quando vamos nos adaptando demais, inclusive ao afastamento de pessoas. A falta de relacionamento, muitas vezes, cria o distanciamento de sentimentos, afinal, relacionamento é troca de afeto, toque de mão, de abraço, de beijo.
Estar longe nem sempre significa esquecimento, mas pode colocar em crise a cumplicidade. E estar longe forçosamente, que já é algo ruim por si só, pode criar abismo ao invés de pontes. Por isso, de um tempo para cá, precisei criar alternativas para estar presente na vida do meu filho que mora fora, na vida de amigos que não vejo antes mesmo de viajar no início do ano, na vida de conhecidos que acabei estreitando relação durante a quarentena.
Sabemos que um dia tudo isso vai passar e que a vida, de alguma forma, voltará à rotina da família, dos amigos, do trabalho. Retomaremos à vida. Mas enquanto isso não acontece, tire o pijama, faça exercícios físicos, crie uma rotina de trabalho mesmo que em casa, converse com os amigos pela internet, telefone e escute a voz, troque mensagens de carinho, solidariedade e força. Acredito que esse tempo em casa nos ensinou muita coisa, principalmente, a falta que faz o contato físico, a valorização das boas amizades, a importância da família. Para alguns, a cegueira espiritual também acabou, estamos aprendendo com Deus. E mais de Deus.
Como diria meu pai: “Muita calma nessa hora. Dias ruins acabam. Pelo menos aprenda com eles.”
Foto: Pixabay


Relato perfeito da vida real na quarentena !!😊😊É bem.isso amiga, ñ podemos nos deixar vencer pelo comodismo .Estabelecer uma rotina ( claro, q ñ tão severa) é muito.importante p a saúde mental e física!! Dias ruins tbém.passam…graças à Deus !!🙏🙏🙏🙏🙏🙏🙏🙏💗
Elisiê, suas crônicas são sempre muito especiais, uma forma de traduzir os sentimentos em palavras. Excelente.
Querida Elisiê, amo as suas crônicas . Vc tem uma sensibilidade incrível. Obrigada amiga….