O Dia Nacional de Combate às Drogas e Alcoolismo é celebrado no dia 20 de fevereiro e tem o objetivo de alertar e conscientizar a população sobre os impactos que o uso de substâncias ilícitas e o álcool geram.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dependência em drogas lícitas ou ilícitas é uma doença e um problema de saúde pública que deve ter atenção de todos os países.
O Alcoolismo é uma doença que devasta a vida de milhares de pessoas, inclusive, da família do dependente químico. O médico psiquiatra Heber Odebrecht Vargas explica que ” bebida mata a autoestima do alcoólatra. Ele morre socialmente primeiro, antes de morrer de outras doenças como a cirrose”.
Por Claudia Costa
O alcoólatra é um dependente químico que dificilmente aceita que ele não tem poder sobre o efeito da bebida, que não consegue parar de beber quando quiser, que não pode dar o primeiro gole que depois vem o segundo, terceiro…. Enfim, uma história que na maioria das vezes não tem final feliz.
“Não existe ex-alcoólatra. Ele não é um bebedor social”, explica Heber Odebrechet Vargas, médico psiquiatra há 40 anos, professor na Universidade Estadual de Londrina, onde é preceptor dos residentes em psiquiatria no curso de medicina. Segundo ele, “Se o filho de um alcóolatra beber vai trilhar o caminho da pessoa que tanto criticou, o seu pai. A cada dois filhos de alcoólatra, um deles seguramente vai virar alcoólatra. Os filhos de alcoólatra devem saber que eles são comprometidos geneticamente e que o seu metabolismo é diferente para o álcool. O efeito de uma cerveja para ele não é o mesmo que para um amigo cujo o pai não bebe. Esse filho pode tomar a decisão de não beber e ter um marco na sua vida. Será muito mais feliz!”, explica.
Heber Vargas salienta que a casuística tem demonstrado que a filha mulher normalmente acaba se casando com um alcoólatra. “É um comportamento que passa de geração para geração. A bebida mata a autoestima do alcoólatra. Ele morre socialmente primeiro antes de morrer de outras doenças como cirrose”, afirma.
A sociedade brasileira faz vistas grossas para uma das mais acessíveis drogas, o álcool. Comumente em filmes, novelas e publicidades o álcool é aceito e estimulado. A personagem, na maioria das vezes, aparece alegre e de bem com a vida.
Os jovens atualmente estão cada vez mais cedo consumindo bebidas alcóolicas em grande quantidade em festas e baladas. O Brasil ainda está longe de ter uma política pública que regule de maneira eficaz e desestimule o consumo de álcool. Para atrair e seduzir os consumidores, algumas campanhas publicitárias de cervejas trazem mulheres bonitas e com corpos esculturais. Isso sem falar nos cantores e músicos que possuem milhares de fãs e poderiam ter um comportamento mais consciente em relação à bebida alcóolica. Mas em vez disso, promovem-na em suas lives, entrevistas e shows. Em alguns países, as pessoas não podem nem andar na rua consumindo uma bebida (lata de cerveja, por exemplo, tem que estar em uma embalagem que não a identifique). Também não é vendida em qualquer lugar como no Brasil, onde os produtos são ofertados em lanchonetes, supermercados e em lojas de conveniência.
“O alcóolatra é sempre um perdedor. Perde a família, os amigos, não é convidados para as festas. Ele não é um safado. É um doente que precisa de tratamento para a dependência química”, salienta o psiquiatra Heber Odebrecht Vargas

Alerta: 85 mil mortes por ano
Aproximadamente 85 mil mortes acontecem a cada ano são atribuídas ao consumo de álcool nas Américas, revelou o estudo realizado pela Organização Pan-Americana da Saúde/ Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) publicado em 12 de abril de 2021 na revista Científica Addiction.
“Este estudo demonstra que o uso nocivo de álcool nas Américas é uma grande prioridade de saúde pública”, afirmou Anselm Hennis, diretor de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS. “Está associada a mortes evitáveis e a muitos anos de vida vividos com incapacidade. Precisamos de intervenções, políticas e programas eficazes, viáveis e sustentáveis para reduzir o consumo de álcool.”
As conclusões da Pesquisa
As principais conclusões do novo estudo com dados de mortalidade em 30 países das Américas revela as principais conclusões.
- Uma média de 85.032 mortes (1,4% do total) anualmente foram atribuídas exclusivamente ao álcool;
- A maioria das mortes (64,9%) ocorreu entre pessoas com menos de 60 anos;
- As causas de morte foram principalmente por doença hepática (63,9%) e distúrbios neuropsiquiátricos (27,4%), como dependência de álcool;
- O consumo de álcool é um fator que contribui para mais de 300 mil (5,5% do total) mortes anualmente nas Américas;
- Mais homens do que mulheres morreram pelo consumo nocivo do álcool. Eles foram responsáveis por 83,1% das mortes exclusivamente atribuíveis ao consumo de álcool. As maiores disparidades de gênero ocorreram em El Salvador e Belize; essa diferença foi menor nos Estados Unidos e no Canadá;
- Cerca de 80% das mortes em que o álcool foi um “fator importante” ocorreram em três dos países mais populosos: Estados Unidos (36,9%), Brasil (24,8%) e México (18,4%);
As taxas de mortalidade atribuível ao álcool foram mais altas na Nicarágua (23,2 por cada 100 mil pessoas) e na Guatemala (19 por cada 100 mil), embora esses países tenham um consumo de álcool per capita relativamente menor.
Alcóolicos Anônimos (AA) – grupo de autoajuda
Existem vários grupos de autoajuda que são importantes no trabalho com os alcóolatras e suas famílias. O mais antigo dele é o Alcóolicos Anônimos que existe no mundo inteiro e na maioria das cidades brasileiras.
Origem e Conceito
O Alcoólicos Anónimos (AA) teve o seu início em 1935 em Akron, Ohio, como resultado do encontro de Bill W., um corretor da Bolsa de New York, com o Dr. Bob S., médico cirurgião. Eram ambos alcoólicos considerados irrecuperáveis. Atualmente estima-se que existam mais de dois milhões de alcoólicos em recuperação em AA em cerca de 175 países.
A única exigência para ser membro do Alcóolicos Anônimos é ter vontade de parar de beber. Não são cobradas taxas para ser membro. AA não é ligado a nenhuma seita, denominação política, organização ou instituição. O principal objetivo de seus membros é manter-se sóbrio e ajudar outros alcóolatras a alcançar a sobriedade. O Alcóolicos Anônimos é uma sociedade informal com mais de 2 milhões de alcóolatras em recuperação em todo o mundo. Eles se reúnem em locais de encontros espalhados por todo o país.
*** atualizado em 20/02/2024
Veja no link as cidades e locais de encontros dos Alcóolicos Anônimos. https://portalvidalimpa.com.br/alcoolismo/os-12-passos-de-alcoolicos-anonimos-e-sua-historia/
Mais Fontes e Serviços:
https://portalvidalimpa.com.br/alcoolismo/os-12-passos-de-alcoolicos-anonimos-e-sua-historia/
Fone 0800- 591- 7561
https://www.paho.org/pt/noticias/12-4-2021-cerca-85-mil-mortes-cada-ano-sao-100-atribuidas-ao-consumo-alcool-nas-americas
Alcoólicos Anônimos online-https://www.aaonline.com.br/


Simmm precisa de tratamento e muito cuidado até mesmo internação pr pessoa se recuperar