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O discreto charme das divas esquecidas  

7 de junho de 2018 por Claudia Costa 1 comentário

 

Por Edilson Pereira

 

A beleza esplendorosa de Tierney

 

Quase todo mundo já ouviu falar em Marilyn Monroe. Poucos falam em Marilyn Maxwell. Faz muito que está esquecida. Antes de Norma Jeane Mortenson aparecer em Hollywood, Maxwell era a Marilyn do pedaço. Uma loira esfuziante. Símbolo sexual. Não tinha sorte com os homens. Diziam na Meca do Cinema que Maxwell tinha talento para escolher homens errados. Um deles e amante por longos anos foi Bob Hope. Maxwell foi uma das centenas de mulheres lindas do cinema que acabaram esquecidas. Hollywood não olha para trás. Aquilo é um açougue. Sempre atrás de carnes novas para os lobos. Que somos nós.   

 

Em parte, compreensível. O cinema é máquina de produzir dinheiro investindo na fantasia. Mulher bonita é produto de consumo para a plateia masculina. O mesmo ocorre com a plateia feminina. Tem galãs para todos os gostos. Não vou relacionar nomes de todas as atrizes que me fascinaram anos a fio para não produzir lista telefônica sem números de telefones. Como esquecer Hedy Lamarr, Ingrid Bergman ou Ava Gardner? Não só elas. Julie Christie, Claudia Cardinalle, Virna Lisi, Romy Schneider, Simone Signoret e Monica Bellucci. Melhor parar antes que me anime. O primeiro time é enorme e de primeira grandeza na constelação cinematográfica.

Gloria Grahame and Humphrey Bogart in Nicholas Ray’s IN A LONELY PLACE (1950). Courtesy Sony Pictures Repertory/Film Forum. Playing 7/17-7/23.

Há um segundo pelotão absolutamente inspirador. De mulhers fatais. Perigosas. Ao escrever uma história procuro rosto para a personagem. Corpo, voz, sorriso, saber como tira o vestido, como diz eu te amo ou i love you, coisas elementares. A personagem tem vida e personalidade como no cinema. Pode ser alguém sendo outrem. Pode também ser a soma de outras. Ano passado escrevia “Ladrões de Cemitério” e procurava rosto e detalhes para Angela Martinelli. Quem me apareceu foi Marilyn Maxwell. Ela disse: “Deixa comigo que resolvo a parada, garoto”. Bem assim. Ela resolveu.

Marilyn Maxwell.

Assim como Maxwell, Martinelli não fez boa escolha na manada masculina. Veio parar em Curitiba. Maxwell me deu força bacana. Se em “A Dama do Largo da Ordem” me inspirei vagamente em Marie Magdelene Dietrich von Losch para compor a traveca, filho bastardo de cafeicultor em Londrina, a escolha em outras histórias aconteceram ao acaso. A verdade é que a história se desenrola conduzida pelos personagens. Comecei a escrever “Tua Morte Será Minha Vingança” com personagem principal masculino. Achava que tinha boa ideia.

1956: Gloria Grahame (1923-1981) as Lucy Sherwood in the film, ‘The Man Who Never Was’, directed by Ronald Neame and produced by 20th Century Fox

Um sujeito em Copacabana leva o fora da mulher, fica desorientado e é aconselhado por João Saldanha a ir para Londrina. Saldanha diz que a cidade era o melhor lugar do mundo para ganhar dinheiro e esquecer frustrações amorosas. O ritmo era intenso e o cara não ia perder o tempo com baboseiras sentimentais. Sem contar que a cidade tinha mulheres bonitas. O livro deslanchou até o sétimo capítulo. Quase todos os personagens evoluiam com desenvoltura como numa sinfonia. Mas o personagem principal empacou. Totalmente perdido. Parei.  

Foi então que li num velho livro americano a carta de uma lésbica para a namorada que a abandonou. A dona estava arrasada. E furibunda. Foi tocante. Achei que a coisa estava naquele tom dramático. Embora eu não tivesse o menor conhecimento de lesbianismo a não ser que se trata de um jogo amoroso em que mulher gosta de mulher. O que não espanta. A maioria dos homens também gosta. Mas é um pouco diferente. Em vez do sujeito que fugia para Londrina de uma decepção amorosa, a coisa encaminhou para a dona que procurava a namorada num bordel em Londrina. Na virada dos anos 50 para os 60. Mas quem era a dona?

Precisava de rosto para Joana Darlene. Pensei em Marta Rocha. Olhos verdes. Linda de morrer. Não dava liga. Não imaginava Marta lésbica embora no mundo tudo seja possível. Foi aí que me apareceu Lizabeth Scott. Voz rouca. Sensual. Olhar meigo às vezes e frio outras. Mulher fatal. Grande cantora. A gente não discute com uma dona assim. O id era de Joana Darlene. Parecia até que Lizabeth Scott sempre foi Joana Darlene. Respirei aliviado. A coisa ia andar. E andou.

1944: Dana Andrews puts the spotlight on Gene Tierney during the interrogation scene of the film noir, ‘Laura’, directed by Otto Preminger.

Ultimamente estou envolvido com Gloria Grahame. Uma inglesa. Grahame foi diva do cinema noir. Personalidade forte. Assustava o sistema. Eu só não consegui fazer nada até agora com Gene Tierney. Lindinha. Uma querida. Esta garota mexe comigo. Ela sabe disso. Aquele olhar é como frota de caminhoneiros, fecha qualquer rodovia. Existem muitas outras garotas, naturalmente, divas esquecidas pela marcha inexorável do tempo e da indústria cinematográfica. Gosto de velhos filmes para revê-las. Matar a saudade. A baixinha Veronica Lake, de olhar tão fulminante quanto uma Magnum.

 

E mais. Lana Turner, Lauren Bacall, Linda Darnell, Rhonda Fleming, Joan Fontaine, Susan Hayward, Dolores Del Rio, Maria Felix, Cyd Charisse, por cujas pernas Paulo Francis babava alucinado. E outras. Sei. Existem as brasileiras. Há onze anos escrevi “A Garota da Cidade”, que se passa nos anos 70, no Brasil, e mergulha no universo paradoxal de repressão política e abundância de mulheres sem roupa no cinema e nas revistas masculinas. Foi a época em que os homens iam pra cama sonhando com Rose Di Primo, Sandra Brea, Darlene Glória, Sonia Braga, Vera Fischer, Aldine Muller, Monique Lafond e mais.

 

Alguns sujeitos nem dormiam. Sonhavam acordados. Estas divas brasileiras estão condensadas em Sheila Bettmann. A linda loira louca que sai do Norte do Paraná e vai parar em Hollywood. As atrizes ficaram velhas, a maioria esquecida, mas continuam vivas e lindas na imaginação de quem um dia as amou. E no meu caso vivem através das mulheres de meus livros. Eu sei que existem dezenas, centenas, milhares de outras, talvez mais lindas que as atrizes que admiramos. Muitas estão na cidade em que você agora lê este texto. A multidão não a vê porque não estão expostas por este fenômeno que hoje se chama mídia na qual a vida e a história destas mulheres estão mergulhadas. Vida e história que alimentaram nossas fantasias. E nossos sonhos. E que um dia também serão esquecidos.

Arquivado em: Colunistas, Crônica

Sobre Claudia Costa

Claudia Costa foi editora Folha de Londrina, suplemento da Folha da Sexta, durante 13 anos, e há mais de 17 anos está atuando em comunicação corporativa e marketing. Trabalhou nas empresas Unimed Londrina, Sociedade Rural do Paraná e Unopar. Atua na assessoria de imprensa e comunicação para AREL, SINDICREDPR e diversos profissionais liberais, principalmente, na área da saúde e diversas áreas de prestação de serviço.

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Comentários

  1. nelson sabbagh diz

    11 de junho de 2018 em 10:26

    Excelente revivescência !

    Responder

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