A obra do norte-americano Tracy Letts é vencedora dos prêmios Pulitzer de Melhor Drama e Tony de Melhor Texto. A montagem brasileira obteve 21 indicações em premiações, sendo vencedora de 7 prêmios.

Ainda que Tracy Letts tenha construído todos os personagens da peça com complexidade e grande relevância para a trama, Violet (Guida Vianna) e Barbara (Letícia Isnard) são as suas protagonistas.
Vencedora de 3 prêmios por sua interpretação em Agosto, Guida Vianna comenta sua personagem:
“Violet é uma mulher que vive numa situação limite, literal e metaforicamente falando. Literal porque faz quimioterapia para um câncer de boca e talvez sua morte esteja anunciada. Metaforicamente, porque sua família está se desmantelando: o marido sumiu, as filhas só esperam o funeral para partir e a ela só restará permanecer sozinha aos cuidados de uma empregada que ela não conhece. Barbara é a filha preferida porque Violet a julga a mais inteligente e a mais parecida com ela. Os temperamentos parecidos levam as duas a embates frequentes. Violet guarda profunda mágoa de Barbara porque ela não voltou pra casa quando soube do seu câncer, mas voltou quando o pai desapareceu. A peça conta uma história familiar na extensão de seus conflitos e de seus afetos. E essa família pode servir como espelho reflexivo para qualquer indivíduo.”

Vencedora de 2 prêmios por sua interpretação em Agosto, Leticia Isnard comenta sua personagem:
“Barbara é uma mulher forte, que está num momento de total desestabilização. Seu casamento está ruindo, vive em crescente conflito com a filha adolescente, está a muito afastada das irmãs, do pai e bate de frente com sua mãe, Violet. Ela luta para não ter o mesmo destino da mãe: a solidão, consequente de uma personalidade forte, acachapante e agressiva. A tendência de Barbara é ficar igualzinha a Violet. E romper com esse ciclo de infelicidade e violência é também um ato de amor.”
O diretor André Paes Leme divide o palco nos cômodos da casa para uma “múltipla espacialidade” que vai exigir uma visão ativa do espectador.
– O primeiro cuidado que tive com a adaptação foi suavizar o contexto norte-americano da peça. O segundo foi em relação ao realismo acentuado proposto pelo autor. Priorizei as situações de conflito e busquei não valorizar ao detalhe a construção do ambiente de cada cena. Me interessa a complexidade das relações familiares, a intensidade com que depositamos no núcleo familiar tanto um amor inquestionável como também despejamos as angústias e inseguranças das nossas vidas. Textos como esse revelam o quanto imprevisível é o comportamento humano – explica o diretor. – A montagem divide o palco nos cômodos da casa em que se passa a história. A ação passeia por todos os cômodos e a proposta do autor é que o espectador possa ver simultaneamente todos os ambientes. Na nossa concepção, as cenas são sobrepostas: a personagem que está num determinado ambiente estará exatamente ao lado de outra que ocupa outra área da casa. Gradativamente, as diferentes cenas vão convivendo no palco.
Se o destino das personagens é inevitavelmente trágico, isso não faz de AGOSTO uma tragédia. Tracy Letts usa recursos do melodrama, da comédia de costumes, das sitcoms da televisão norte-americana e do vaudeville, mantendo a unidade formal, a coerência interna e estética da sua obra.

Tracy Letts é um dos mais importantes autores do teatro contemporâneo dos EUA. Nascido em Tulsa, Oklahoma, é um dos mais importantes autores norte-americanos vivos. Vencedor dos prêmios Pulitzer na categoria Melhor Drama e Tony na categoria Melhor Texto, August: Osage County estreou em Chicago em 2007, na montagem do Steppenwolf Theatre Company (companhia a que pertence Letts), encenada depois em Nova York e Londres, entre outras cidades e países. Em 2013, a obra inspirou o filme Álbum de Família protagonizado por Meryl Streep e Julia Roberts, além de Ewan McGregor, Juliette Lewis, Sam Shepard e Benedict Cumberbatch. E agora tem sua primeira montagem no Brasil pelas mãos da produtora Maria Siman, da Primeira Página Produções, em parceria com Andrea Alves e Sarau Agência de Cultura Brasileira. Responsável pela produção de importantes espetáculos como Ensina-me a Viver, O Pequeno Príncipe, O Grande Circo Místico, Incêndios e Maria do Caritó, Maria Siman adquiriu os direitos do texto teatral para montagem no Brasil após assistir ao filme Álbum de Família. “Percebi que se tratava de dramaturgia adaptada para o cinema e parti em busca dos direitos de montagem da peça no Brasil”, lembra.
Ficha técnica
Texto: Tracy Letts
Tradução: Guilherme Siman
Direção e Adaptação: André Paes Leme
Elenco/personagens: Guida Vianna (Violet Weston), Leticia Isnard (Barbara Fordhan), Alexandre Dantas (Steve Heidebrecht), Claudia Ventura (Karen Weston),
Diretor Assistente: Anderson Aragón
Cenografia: Carlos Alberto Nunes
Figurino: Patrícia Muniz
Iluminação: Renato Machado
Música: Ricco Viana
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Projeto Gráfico: Mais Programação Visual
Fotos de Divulgação: Silvana Marques
Produção Executiva: Felipe Valle e Fernanda Silva
Direção de Produção: Maria Siman e Andrea Alves
Idealização e Coordenação Geral: Maria Siman
Realização: Primeira Página Produções
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Serviço
Centro Cultural João Nogueira – Imperator
Rua Dias da Cruz, 170, Méier, Rio de Janeiro
Tel.: (21) 2597-3897
Temporada: 9 a 25 de agosto, sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h
Ingresso: R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia entrada)
Vendas na bilheteria, terças e quartas das 13h às 20h30, quinta a sábado das 13h às 21h30 e domingos das 13h às 19h30, ou pelo site https://www.
Duração: 130 minutos
Classificação:14 anos
Comédia dramática
Texto: contemporânea comunicação/Ney Mota
Fotos: Claudia Ribeiro


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