Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), uma parcela relevante dos casos de câncer no país está associada ao sobrepeso e à obesidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 13 em cada 100 casos de câncer no Brasil sejam atribuíveis ao excesso de peso corporal.

Excesso de gordura corporal já responde por parcela relevante dos casos de câncer no país e está ligado a maior risco de 13 tipos de tumores, além de impacto negativo no tratamento
O Brasil conseguiu, nas últimas décadas, reduzir de forma consistente o tabagismo com políticas públicas robustas, como restrição à propaganda, aumento de impostos, advertências sanitárias e oferta de tratamento pelo SUS. O resultado foi a queda expressiva do número de fumantes e, mais recentemente, a redução da mortalidade por câncer de pulmão entre os homens.
Agora, especialistas alertam que outro fator de risco cresce de forma silenciosa: o excesso de peso. Dados recentes do sistema Vigitel mostram que 61,4% da população adulta das capitais brasileiras está acima do peso. Estimativas apontam que, nas próximas duas décadas, quase metade dos adultos pode viver com obesidade. Hoje, a condição já atinge cerca de 26% dos brasileiros, aproximadamente 41 milhões de pessoas.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), uma parcela relevante dos casos de câncer no país está associada ao sobrepeso e à obesidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 13 em cada 100 casos de câncer no Brasil sejam atribuíveis ao excesso de peso corporal.
Quais cânceres estão associados à obesidade?
A Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à OMS, reconhece que o excesso de gordura corporal está associado a pelo menos 13 tipos de câncer, entre eles:
- Mama (especialmente na pós-menopausa)
- Cólon e reto
- Endométrio
- Ovário
- Fígado
- Pâncreas
- Rim
- Esôfago (adenocarcinoma)
- Vesícula biliar
- Estômago (cárdia)
- Tireoide
- Mieloma múltiplo
- Meningioma
Embora nem todos os casos desses tumores ocorram em pessoas com obesidade, o acúmulo excessivo de gordura corporal aumenta o risco populacional.
“O tecido adiposo não é inerte. Ele produz substâncias inflamatórias e altera o equilíbrio hormonal do organismo”, explica o oncologista Mauro Donadio, da Oncoclínicas. “Esse ambiente metabólico favorece a proliferação celular e pode contribuir para o desenvolvimento e a progressão de tumores. Além disso, os resultados dos tratamentos dos tumores em pessoas com obesidade tendem a ser piores.”
O que acontece no organismo?
A obesidade é definida como uma doença crônica caracterizada por índice de massa corporal igual ou superior a 30 kg/m². No plano biológico, ela envolve alterações complexas:
- Aumento de leptina, insulina, triglicérides e fatores de crescimento;
- Elevação de citocinas pró-inflamatórias;
- Maior atividade da aromatase, com impacto hormonal;
- Redução de adiponectina;
- Supressão da imunidade antitumoral e das células T;
- Estado de inflamação crônica persistente.
“Não se trata apenas de peso na balança, mas de um desarranjo metabólico sistêmico”, afirma Donadio. “A inflamação crônica com disfunção imunológica e as alterações hormonais criam um terreno biologicamente mais favorável ao câncer.”
Impacto no diagnóstico e no tratamento
A obesidade não influencia apenas o risco de desenvolver a doença. Ela também pode interferir no prognóstico. O risco de recidiva após um tratamento curativo é maior em pacientes oncológicos com obesidade.
Pacientes com obesidade frequentemente recebem diagnóstico em estágios mais avançados. Entre os fatores associados estão barreiras estruturais, como equipamentos inadequados para exames, e estigmas que dificultam o acesso e a continuidade do cuidado.
O tratamento oncológico é ainda mais complexo nesse cenário. O excesso de gordura corporal pode estar relacionado a maior toxicidade e efeitos adversos da quimioterapia, maior resistência à radioterapia e complicações cutâneas, pior cicatrização e mais infecções no pós-operatório, redução da eficácia de hormonioterapia, mais efeitos adversos em imunoterapia.
Outro ponto crítico é a composição corporal. A perda de massa muscular, chamada sarcopenia, pode piorar a resposta ao tratamento e a qualidade de vida. Quando há combinação de obesidade e sarcopenia, o impacto tende a ser ainda mais significativo.
“Precisamos olhar além do IMC e avaliar a composição corporal e funcionalidade”, destaca Donadio. “A abordagem deve ser individualizada.”
Prevenção e políticas públicas
A epidemia de obesidade está relacionada à mudança no padrão alimentar, com maior consumo de produtos ultraprocessados, bebidas açucaradas e refeições industrializadas, em detrimento de alimentos frescos e preparações tradicionais.
Países como México e Chile já adotaram medidas como taxação de bebidas açucaradas e rotulagem frontal de advertência. No Brasil, o Guia Alimentar para a População Brasileira e compromissos firmados junto à Organização Pan-Americana da Saúde representam passos iniciais, mas especialistas defendem ações mais amplas.
“Se aprendemos com o enfrentamento ao tabagismo, sabemos que políticas públicas consistentes fazem diferença”, afirma Donadio. “Tributação de produtos nocivos, regulação da publicidade infantil e promoção de ambientes saudáveis são medidas estruturais.”
Tratamento da obesidade em pacientes com câncer
O manejo da obesidade é multidisciplinar e pode incluir:
- Reeducação alimentar;
- Atividade física regular;
- Acompanhamento psicológico;
- Medicamentos antiobesidade, quando indicados e sem interação com terapias oncológicas;
Obesidade é o “novo tabagismo”?
A comparação tem sido feita por especialistas, mas com ressalvas. Diferentemente do cigarro, cuja relação causal com o câncer é direta e amplamente comprovada, a associação entre obesidade e câncer é biologicamente plausível e consistente, porém multifatorial e mais complexa.
“Não é uma equivalência simples”, pondera Donadio. “Mas, do ponto de vista de saúde pública, a obesidade já se consolida como um dos principais fatores modificáveis de risco para câncer.”
Diante do avanço dos índices de sobrepeso e obesidade no país, especialistas defendem que o enfrentamento da condição seja tratado com a mesma prioridade dada, no passado, ao tabagismo, como uma agenda estruturante de saúde pública.
Para Mauro Donadio, a mensagem central é clara: “Controlar o peso não é uma questão estética. É uma estratégia concreta de prevenção oncológica e de melhora de desfechos para quem já enfrenta a doença”, finaliza.
Sobre a Oncoclínicas&Co
A Oncoclínicas&Co, um dos principais grupos dedicados ao tratamento do câncer no Brasil, oferece um modelo hiperespecializado e inovador voltado para toda a jornada oncológica do paciente. Presente em mais de 140 unidades em 47 cidades brasileiras, a companhia reúne um corpo clínico formado por mais de 1.700 médicos especializados na linha de cuidado do paciente oncológico. Com a missão de democratizar o acesso à oncologia de excelência, realizou cerca de 670 mil tratamentos nos últimos 12 meses. Com foco em pesquisa, tecnologia e inovação, a Oncoclínicas segue padrões internacionais de alta qualidade, integrando clínicas ambulatoriais a cancer centers de alta complexidade, potencializando o tratamento com medicina de precisão e genômica. É parceira exclusiva no Brasil do Dana-Farber Cancer Institute, afiliado à Harvard Medical School, e mantém iniciativas globais como a Boston Lighthouse Innovation (EUA) e a participação na MedSir (Espanha). Integra ainda o índice IDIVERSA da B3, reforçando seu compromisso com a diversidade. Com o objetivo de ampliar sua missão global de vencer o câncer, a Oncoclínicas chegou à Arábia Saudita por meio de uma joint venture com o Grupo Al Faisaliah, levando sua expertise oncológica para um novo continente. Saiba mais em: www.oncoclinicas.com.
Texto: divulgação


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