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Opinião | “Envelhecer”: uma crônica de Márcia Basto, escritora e advogada de 73 anos, sobre aceitação do envelhecimento e etarismo

9 de junho de 2024 por Elisiê Peixoto Deixe um comentário

 

A escritora Márcia Basto

 

“Abomino a expressão ‘boa idade’. O prazer ou descontentamento trazidos pela idade depende do foco de cada um. Resmungar ou rir das próprias fragilidades?”

Por Márcia Basto*

Envelhecer é feito entardecer. Sol e irradiância do brilho excessivo recolhendo-se à coxia.

Na cena subsequente as luzes se apagam e a iluminação convida não a ver, mas adivinhar, sentir. Imaginamos um palco ocupado por seres mágicos e encantados: duendes, sílfides, fadas e todo um universo lunar onde estão fecundadas emoções ancestrais. Lá, a água jorra para lavar, renovar e mostrar segredos do tempo do antes.

Para uns, o entardecer traz momentos tristes e nostálgicos. Despedida.

Já outros, o consideram romântico. Cenário propício a afagos, corpos colados e beijos roubados. Declarações do amor que se acredita durar ad infinitum. Há, ainda, aqueles que nem percebem a magia do entardecer. São os que regulam o tempo pelas obrigações e cumprimento do que foi planejado em cada dia. Até mesmo o lazer obedece a uma programação pré-estabelecida.

Vivemos na sociedade do cansaço O poder-fazer assume mais relevância do que o simplesmente viver “ao correr do dia”. Entregar-se ao aqui e agora – o único tempo existente.

Poucos dão importância ao “ócio criativo” de que fala Domenico de Masi. Desocupar a mente das tantas agendas que inventamos. Entregar-se ao nada. Pois é no momento da vacuidade, no entretempo, que, esvaziando-nos de nós mesmos, podemos ser o que, de fato, somos. Sem máscaras nem perfis sociais. Alcançando a essência da subjetividade.

Envelhecer é uma nova estação da alma. Nela não há, apenas, lembranças. Ou murmúrios do tempo que passou, anseio de sentir o apoio interior, emocional. Há todo um percurso ainda a concluir. Sem pressa, sem voltar-se para o que poderia ter sido, mas, sim, para o que foi e, ainda, poderá ser. A alma desvelada traz o sentimento de autoproteção, de acolhimento. Nossa autoimagem se configura com mais clareza. Abrimos fendas para entrar no inconsciente, no passado.

Envelhecer não é, tampouco, transverter-se na juventude que já passou, performando uma caricatura, por vezes grotesca, daquilo que não mais nos habita. Levados pelo desejo de preservar intacta a juventude que se foi: cabelos azuis, rosas, roupas que mostram a realidade do tempo nos corpos que já não são o de antes. Seria revolta ou, quem sabe, recusa de entrar nesse novo tempo?

Não se trata, longe de mim tal pensamento, de coibir desejo e liberdade de ser, pensar e agir, em qualquer idade, como nos aprouver. Acredito que certas atitudes sejam, talvez, a recusa de abrir a porta e deixar a velhice entrar trazendo a beleza desse tempo. Por que a preferência de se tornar prisioneira de uma casa desabitada?

A velhice deve ser convocada, não como uma intrusa, mas feito convidada especial que armazena sabedoria, histórias, risos descompromissados e serena tranquilidade.

Abomino a expressão “boa idade”. O prazer ou descontentamento trazidos pela idade depende do foco de cada um. Resmungar ou rir das próprias fragilidades?

Envelhecer traz a liberdade de seguirmos novos caminhos, realizando projetos adiados. Não há o que temer. Não importa ter 7 ou 70 anos. Importa sim adquirir na vida, a sabedoria de uma boa-vida.

*Com 73 anos, a escritora e advogada recifense Márcia Meira Basto é autora de nove livros, dentre eles o ensaio “Clarice, Clarear o leitor de si mesmo em Clarice Lispector” (Ed. Bagaço, 1995.), a novela “Marion” (1999) e os premiados “Desejos e Histórias” (1998) e “Amar elos Vermelhos” (2005), que venceram os Prêmios Literários da Cidade do Recife. “Amar elos Vermelhos” foi relançado recentemente pela Editora Labrador. Além disso, é Mestra em Filosofia, tendo pesquisado identidade e alteridade na obra de Clarice Lispector.

Arquivado em: Comportamento Marcados com as tags: #envelhecer, #MarciaMeiraBasto, #portalideiadelas, comportamento, literatura

Sobre Elisiê Peixoto

Elisiê Peixoto foi colunista da Folha de Londrina durante 18 anos, lançou cerca de 30 livros. Atuou num programa semanal da extinta TV Mix, escreveu para diversas revistas, trabalha como jornalista e escritora na Editora Mondo. Como colaboradora da Ong Nós do Poder Rosa escreveu cinco livros em prol das causas da mulher. Atua junto ao departamento de marketing do Roberta Peixoto Academy.

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