Histórias de pessoas que viveram casamentos heterossexuais, mas que terminaram seus relacionamentos e vivem relações homoafetivas.

AMAR
“Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
Amar e esquecer, amar e malamar
Sempre e até de olhos vidrados, amar?”
Carlos Drumond de Andrade
Por Cláudia Costa
Os personagens desta matéria são pessoas que viveram relações heterossexuais em seus casamentos, mas que após terminarem seus relacionamentos vivem uma relação homoafetivas.
Esses depoimentos ajudam a gente refletir sobre a vida e as relações afetivas. Acreditamos que não temos o direito de aprovar ou não qualquer tipo de relacionamento. Mas , temos o DEVER de RESPEITAR as escolhas de cada indivíduo. Essas pessoas trabalham muito para sobreviverem, são pais, mães, avôs que amam suas famílias e não merecem ter que enfrentar nenhum obstáculo ou dificuldades por causa da sua orientação sexual. O preconceito afasta, discrimina e dificulta a vida das pessoas.
PRESSÁGIO
“O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar… “
Fernando Pessoa
Nos últimos tempos, várias pessoas conhecidas do público têm falado sobre seus relacionamentos homoafetivos, depois de terem vividos casamentos heterossexuais. Recentemente, em entrevista à revista Veja, a jornalista Leilane Neubarth falou sobre a sua sexualidade: ” Não, eu nunca imaginei que me apaixonaria por uma mulher. Algumas pessoas me falavam: ‘Ah, então você sempre foi gay e foi infeliz porque era casada com um homem’. Não! Eu era feliz com minha vida sexual, amorosa, matrimonial. Só que aí eu me separei e, de repente, as coisas começaram a acontecer e surgiu essa outra emoção, outro sentimento, uma outra atração que eu nunca tinha pensado”, disse a apresentadora, que já foi casada por duas vezes com homens e tem dois filhos.”. Outra pessoa famosa que está vivendo um romance homoafetivo é a atriz Maetê Proença. Ela está namorando a cantora Adriana Calcanhotto. Poderíamos citar inúmeros casos de personalidades como o ator Sérgio Mamberti, Lulu Santos, dentre tantos ,que estão vivendo relacionamentos com pessoas do mesmo sexo. Mas, no caso dessa matéria os entrevistados não são pessoas famosas, mas brasileiros comuns, que levam uma vida caseira, familiar e de muito trabalho.

Ao ouvir cada depoimento procuramos agir com empatia e respeito, pois eles falam sobre suas vidas, angustias e intimidades. Desejamos que esta matéria e os depoimentos ajudem aos leitores a refletirem sobre a vida e a felicidade.
A paulista Maria Lucia, 61 anos, professora aposentada, morou por muitos anos no Paraná, mas atualmente mora no interior do estado de São Paulo. Ela ficou casada com Márcio, profissional liberal, por 14 anos, mas entre namoro, noivado e casamento foram 28 anos de convivência. O casal teve uma filha, Laura, que na época da separação estava com 13 anos.
Maria Lucia explica que na adolescência e nem na vida adulta havia se interessado por uma pessoa do mesmo sexo. “Nunca olhei para uma outra mulher com interesse. Na época do meu primeiro relacionamento homossexual, eu não estava feliz no meu casamento. Me sentia sozinha do ponto de vista afetivo. O meu marido era muito ausente, viajava muito a trabalho e acabou acontecendo de eu me envolver com uma colega de trabalho. Acredito que o motivo inicial pode ter sido carência afetiva e essa amiga, a Malu, homossexual assumida, era uma pessoa muito atenciosa, carinhosa, sedutora e …simplesmente aconteceu. “
Quando tivemos nosso envolvimento eu quase enlouqueci, vivenciei um grande conflito, fui parar no psicólogo”, conta a professora sobre o dilema que viveu. Por outro lado, ela diz que não queria abrir mão do relacionamento que estava vivendo, pois era infeliz no seu casamento. Maria Lucia é uma bela mulher, comunicativa, cozinheira de mão cheia, sempre esteve rodeada pelos amigos que conquistou ao longo da vida. Toda semana o seu apartamento era ponto de encontro dos amigos que iam saborear um rodízio de pizza, preparada pela anfitriã.
Mas o que podia ser apenas um caso sem consequência acabou tomando grandes proporções na vida de Maria Lucia. O marido começou a desconfiar das mudanças de comportamento dela e acabou descobrindo o romance da esposa. Maria Lucia nunca confessou para Márcio que estava relacionando-se com uma mulher. O casamento chegou ao fim, com ameaças e muito desgastes. A vida da dela deu uma reviravolta, inicialmente pelas dificuldades financeiras e o fato criar a filha sozinha. “Eu e a Laura fomos fazer terapia”, diz ela.
O relacionamento da professora e Malu não foi para frente, o que provocou grande sofrimento na professora. “Eu fiquei muito deprimida, quase “morri” de tanta tristeza. Chorava muito. Não entendia por que ela se afastou de mim”, relembra.
Uma outra vida
Tempos depois, a professora conheceu, através do intermédio de outra colega de trabalho, a veterinária Priscila. As duas tiveram um relacionamento de 20 anos. Elas foram morar juntas e viveram algumas crises comuns nos casamentos heterossexuais. Há dois anos e meio, elas colocaram um ponto final na relação.
Maria Lucia não ficou muito tempo sozinha, atualmente está namorando a empresária Fernanda, homossexual assumida, que também foi casada e tem um casal de filhos. A professora diz que nunca mais voltou a se relacionar com um homem. “Simplesmente eu não conheci nenhum homem interessante que me chamasse atenção”, salienta.

A visão da filha
A empresária Laura, 33 anos, casada, mora em São Paulo capital. Ela é a filha de Maria Lucia que na época da separação dos pais estava com 13 anos. Segundo Laura, filho nenhum deseja ver a separação dos pais, mas o mais importante para ela era ver seus pais felizes:
“Minha mãe não era feliz e a felicidade dela é o que importa para mim. Meu pai sempre foi ausente”, salienta Laura que morou muito tempo na Alemanha, onde foi fazer intercâmbio durante a adolescência e depois acabou cursando a Universidade, em Berlim. Depois de formada Laura, conheceu várias culturas nas viagens que realizou por diversos países como o Japão. Laura conta que a mãe só abriu o “jogo” sobre o seu relacionamento homoafetivo quando ela estava com 17 anos. “Minha mãe estava vivendo uma crise no relacionamento com a companheira e estava muito deprimida. Foi ai que me contou sobre seu namoro com a veterinária Priscila. Para mim foi um alivio, ela se abrir comigo. Eu já desconfiava, mas o fato dela conversar comigo foi muito importante. Na minha adolescência eu fiquei um pouco em dúvida, mas como nossa casa sempre vivia cheia de amigos, achei que era apenas mais uma amizade dela. Sempre fomos amigas, minha mãe é uma excelente mãe e eu quero a felicidade dela”.
A empresária diz que ficou um pouco preocupada quando foi contar para o marido, o alemão Rudolf, sobre o namoro homoafetivo da sua mãe. “A reação dele foi surpreendente. Me disse: tudo bem, não vejo nenhum problema nisso”, conta Laura que é casada há 12 anos. Segundo ela, na Alemanha e na Europa em geral , onde morou por muitos anos, “as pessoas vivem suas vidas, não se preocupam com a vida e as escolhas dos outros. As pessoas se apaixonam por pessoas, e não se é por um homem ou mulher. Isto é um pensamento comum na geração de hoje” .
A empresária e o marido, sua mãe e a namorada saem juntos em São Paulo para jantar quando as duas estão na capital paulista. “Elas estão apaixonadas e é muito bom vê-las felizes”.

Comecei a sentir outras necessidade
O paranaense Luiz Fernando, 64 anos, gerente financeiro aposentado, casou-se muito jovem, aos 21 anos. Ele e a esposa Marilia foram casados durante 20 anos, e tiveram um casal de filhos, Roberto e Flavia.
Ele diz que durante o casamento sempre convidava a esposa para assistir filmes eróticos no antigo cinema do shopping Com-Tour, de Londrina. Segundo Luiz Fernando, quando ele estava com 42 anos, percebeu mudanças no seu interesse sexual. “Comecei a sentir outras necessidades”, explica.
A separação do casal aconteceu em 1997 e não foi muito amigável, pois a esposa ouviu ele conversando com um rapaz ao telefone. “Na época, o meu filho tinha 20 anos e minha filha 16 anos. A preocupação era com eles”, conta o aposentado que é avô de três netos.
Para Luiz Fernando não foi difícil assumir sua bissexualidade. “Meu filho ficou revoltado comigo. Tivemos uma discussão feia. Ele foi morar na Europa, mas felizmente hoje em dia nos damos muito bem. Ele voltou ao Brasil e se casou, minha nora teve um papel importante na nossa reaproximação”, ressalta.
Há 12 anos ele mantém um relacionamento homoafetivo com o músico Rafael “O meu filho Roberto e o Rafael se dão muito bem. Quando ele vem em nossa casa, tocam violão juntos e conversam muito. Eles se tratam com muito respeito”, diz Luiz Fernando.
*** Todos os nomes dos personagens desta matéria são fictícios.


Muito bacana a pauta do portal. Parabéns, Claudia!!
Muito bacana a pauta. Parabéns, Cláudia!!
Parabéns! Matéria importante para abrir a venda para novas formas de amar, e ser feliz. É o que importa no final das contas. Afetividade é uma coisa louca e importante na vida.
Acho que finalmente estamos começando a trilhar o caminho do respeito à escolha mais importante da vida das pessoas: a quem amar.
Parabéns Claudia!
Belos relatos. Tema importante.
Boa noite Cláudia eu tive uma amiga na qual eu fui padrinho de casamento dela e depois de seis meses de casada ela largou o marido e começou a se relacionar com uma outra mulher Hoje ela está muito bem Vou fazer cinco anos que elas estão juntas. Eu creio que isso é questão de natureza mesmo independente da sexualidade
Muito interessante!
Gostei da forma que foi abordado esse tema.
Obrigado Brasilia pelo seu feedback. abraços
Matéria muito bem feita e oportuna. Parabéns
Obrigada por seu comentário! É importante saber a opinião dos nossos leitores. Abraços Ana
Muito interessante e mostra que o importante é está feliz!
Não tenho discriminação
contra ninguém, contudo nao aconselho ninguém se envolver em relações homoafetivas pois esta claramente escrito na Bíblia que tal prática è algo detestavel para Deus e sera punida com a morte assim como para outras fornicaçoes.
Adorei a matéria. São inúmeras histórias a contar. Não temos mais tempo para não nos colocar em primeiro plano. A busca da felicidade é agora. Ninguém além de nos podemos trazer a felicidade.
tenho 21 anos, fui casada com um homem durante 5 anos…tenho dois dois filhos, um casal..
me apaixonei por uma colega de trabalho, n0s aproximamos, ela se separou do marido, pois diz estar muito apaixonada por mim também …
agora minha mãe ao descobrir, surtou me diminuiu, não quer saber de mim, mandou eu sair de casa, disse coisas que me deixou triste…………………
como eu faço
Bom dia!
Busque um suporte psicológico em sua cidade. Encontre alguma entidade para te dar um acolhimento e suporte sobre esse assunto
Você é mto jovem e se casou mto jovem tbem.. Sua mãe é de outra geração e se preocupa com seu futuro e isso tudo assusta um pouco . Vá com calma e não hesite em procurar ajuda de psicólogo, que poderá dar o suporte necessário. Até nas unidades básicas de saúde há psicólogos que você pode agendar. Espero que fique bem !